Apesar das críticas, estudo aponta que consumo não teve aumento significativo após mudança na política
Ministros conservadores da Alemanha intensificaram as críticas à legalização parcial da cannabis e anunciaram que pretendem rever a política adotada pelo governo anterior. A declaração foi feita nesta quarta-feira (1º), em mais um capítulo da disputa política sobre o modelo regulatório no país.
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, classificou a legislação como “um completo fracasso” em posicionamento conjunto com outros integrantes do governo. A ministra da Saúde, Nina Warken, também criticou a medida e afirmou que a legalização foi “um erro”.
A lei entrou em vigor em 1º de abril de 2024, durante a gestão do ex-chanceler Olaf Scholz, e autorizou a posse de cannabis para uso recreativo em quantidades limitadas, além de ampliar o acesso à cannabis medicinal. Atualmente, a legislação permite o porte de até 25 gramas em espaços públicos e o cultivo doméstico de até três plantas por adulto, com limite de 50 gramas.
Apesar das críticas, um relatório divulgado no mesmo dia por especialistas de três universidades alemãs indica que não há evidências de aumento significativo no consumo de cannabis após a implementação da lei. O estudo aponta, no entanto, outros desafios, como a redução de recursos destinados a programas de prevenção e apoio a jovens.
Os pesquisadores também destacaram a presença de produtos com altas concentrações de THC — principal composto psicoativo da cannabis — mesmo dentro do mercado legal, o que levanta preocupações sobre regulação e controle de qualidade.
Outro ponto de atenção citado pelo governo é o crescimento acelerado do setor medicinal. Segundo o porta-voz Hannes Böckler, as importações de cannabis para fins terapêuticos aumentaram mais de seis vezes desde 2023, transformando a Alemanha no maior mercado legal da substância na Europa.
A ministra da Família, Karin Prien, também criticou o cenário atual e apontou um “declínio acentuado” na participação de jovens em programas de prevenção ao uso problemático de drogas, defendendo uma “correção de rumo” na política pública.
As declarações evidenciam que, mesmo após a legalização parcial, o modelo alemão segue em disputa. Enquanto setores conservadores pressionam por mudanças, dados iniciais indicam que o consumo não disparou, reforçando o debate sobre os reais impactos da regulação frente à lógica proibicionista.
