Internacional

Legalização não aumenta uso entre jovens e dados oficiais desmontam narrativa proibicionista nos EUA

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Thiago Alves

22 de abril de 2026

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Legalização não aumenta uso entre jovens e dados oficiais desmontam narrativa proibicionista nos EUA

Levantamento em Minnesota mostra queda histórica no consumo de cannabis entre estudantes, mesmo após regulação para adultos

Apesar de anos de discursos alarmistas que associavam a legalização ao aumento do consumo entre adolescentes, novos dados oficiais do estado de Minnesota apontam na direção oposta. O uso de cannabis entre estudantes do ensino fundamental e médio atingiu o menor nível da última década.

Segundo o Departamento de Saúde estadual, 96% dos alunos afirmaram não ter consumido cannabis no último mês. O resultado faz parte da mais recente edição da Minnesota Student Survey, pesquisa realizada a cada três anos com estudantes do 5º, 8º, 9º e 11º anos.

A divulgação ocorre após a sanção da lei que legalizou o uso adulto da substância em 2023 pelo governador Tim Walz, tornando este o primeiro levantamento desde o fim da proibição para maiores de 21 anos.

Os dados mostram uma queda de 57,7% no uso anual de cannabis entre estudantes do 8º, 9º e 11º anos entre 2013 e 2025. A tendência de redução também aparece no consumo mensal, reforçando um padrão consistente ao longo dos anos.

Para além da diminuição do uso, a percepção de risco entre os jovens também aumentou. Mais estudantes passaram a considerar o consumo frequente como algo prejudicial, revertendo uma tendência observada na década anterior.

Um dado curioso revela como a percepção social pode ser distorcida: embora 92% dos estudantes afirmem nunca ter usado cannabis, eles estimam que mais da metade dos colegas consomem a substância regularmente.

O resultado reforça evidências já observadas em outros contextos. Estudos realizados no Canadá e em países europeus, como a Alemanha, também indicam que a regulamentação não leva ao aumento do consumo entre jovens. Pelo contrário, a criação de mercados legais tende a reduzir o acesso de menores, ao impor controle de idade, fiscalização e qualidade dos produtos.

Nos Estados Unidos, levantamentos federais apontam que o aumento recente no consumo de cannabis está concentrado entre adultos com mais de 26 anos, enquanto as taxas entre adolescentes permanecem estáveis ou em queda.

O cenário enfraquece um dos principais pilares do proibicionismo: a ideia de que a regulação ampliaria o acesso irrestrito. Na prática, especialistas argumentam que o mercado ilegal, desprovido de controle, é muito mais permissivo com menores do que sistemas regulados.

Ainda que autoridades ressaltem a importância de políticas de prevenção e educação, especialmente diante dos riscos do uso precoce, os dados indicam que o debate público precisa se basear em evidências, e não em suposições.

A experiência de Minnesota se soma a um conjunto crescente de estudos que reposicionam a discussão global sobre drogas, sugerindo que modelos regulatórios podem ser mais eficazes do que a proibição tanto na proteção da saúde pública quanto na redução de danos sociais.

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