Oregon amplia acesso à cannabis medicinal em cuidados paliativos e desafia estigma sobre uso no fim da vida
10 de abril de 2026

Nova lei permite uso da planta em instituições de cuidado mental, reforçando papel terapêutico da cannabis como alternativa aos opioides
O estado de Oregon, nos Estados Unidos, deu mais um passo no avanço da política de cannabis medicinal ao sancionar uma lei que autoriza pacientes com condições debilitantes a utilizarem a planta em instituições de saúde, como hospitais psiquiátricos, serviços de cuidados paliativos e atendimentos domiciliares. A medida reforça uma tendência internacional de revisão de políticas proibicionistas diante das evidências clínicas e da demanda por tratamentos mais humanizados no fim da vida.
A governadora Tina Kotek aprovou o projeto de lei após ampla tramitação no Legislativo estadual. A proposta foi validada no Senado por 20 votos a 8 e aprovada na Câmara por 39 a 3, consolidando apoio político significativo à ampliação do acesso à cannabis em contextos médicos sensíveis.
Autora do projeto, a deputada Farrah Chaichi defendeu a medida como uma ferramenta essencial para reduzir a dependência de opioides no cuidado de pacientes em fase terminal. Segundo ela, o uso da cannabis pode oferecer alívio de sintomas sem os efeitos sedativos intensos frequentemente associados a esses medicamentos, permitindo maior interação e presença dos pacientes com seus familiares nos últimos dias de vida.
A nova legislação determina que instituições de cuidados paliativos, organizações de assistência domiciliar e unidades residenciais desenvolvam regras para permitir o uso de cannabis medicinal por pacientes registrados. O texto também protege profissionais de saúde, proibindo punições a enfermeiros que orientem pacientes sobre o uso terapêutico da planta.
Além disso, a norma cria brechas legais para que essas instituições atuem como cuidadores autorizados no fornecimento de cannabis, desde que cumpram exigências regulatórias. O objetivo é garantir segurança jurídica tanto para pacientes quanto para profissionais e estabelecimentos de saúde.
Embora a lei não inclua hospitais, ela se aproxima de iniciativas conhecidas como “Ryan’s Law”, adotadas em outros estados norte-americanos para permitir o uso de cannabis em ambientes hospitalares. O caso faz referência a um jovem paciente da Califórnia que lutou pelo direito de utilizar cannabis medicinal durante seu tratamento.
A medida também prevê que instituições residenciais que forneçam cannabis a pacientes estejam isentas de sanções criminais relacionadas à posse ou distribuição da substância, desde que sigam as diretrizes estabelecidas. As organizações terão prazo para criar protocolos internos e treinar equipes antes da entrada em vigor da lei, prevista para 1º de janeiro de 2027.
O avanço em Oregon ocorre em paralelo a uma realidade crescente no Brasil. Segundo o Anuário da Cannabis Medicinal da Kaya Mind, o país já soma mais de 870 mil pacientes em tratamento com derivados da planta, com crescimento anual consistente impulsionado por decisões judiciais, aumento de prescrições médicas e atuação de associações de pacientes.
Apesar disso, o acesso ainda é limitado por custos elevados e pela ausência de regulamentação do cultivo nacional em larga escala, o que mantém o Brasil dependente da importação de produtos. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária indicam que o número de autorizações para importação segue em alta, refletindo uma demanda reprimida por alternativas terapêuticas mais acessíveis.
A experiência de Oregon reforça o debate sobre a necessidade de políticas públicas que priorizem qualidade de vida e autonomia dos pacientes, especialmente em contextos de cuidado paliativo. Em um cenário onde o sofrimento pode ser amenizado por diferentes abordagens terapêuticas, a cannabis surge como uma opção cada vez mais respaldada por evidências científicas e pela vivência de pacientes ao redor do mundo.
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