Nova estratégia cria regras para cultivo, processamento e comercialização, com limite de 0,3% de THC e foco no desenvolvimento econômico
O governo federal do Paquistão aprovou sua primeira política nacional de controle e regulamentação da cannabis, estabelecendo um marco legal abrangente para o cultivo, processamento, fabricação e comercialização da planta e de seus derivados. A medida busca enfrentar o mercado ilegal e inserir o setor na economia formal, com potencial de geração de empregos e receitas.
A decisão foi tomada em reunião do gabinete federal após a revisão do texto por um comitê de alto nível encarregado de alinhar a proposta às prioridades econômicas do país, mecanismos de fiscalização e práticas regulatórias internacionais. A informação foi divulgada pelo jornal The Express Tribune.
Em 2025, o país já havia sinalizado interesse em estruturar uma indústria regulada de cannabis com limite de 0,3% de THC, alinhando-se ao padrão internacional aplicado ao cânhamo industrial. Em janeiro de 2026, a chamada National Cannabis Control and Regulatory Policy consolidou essa mudança de direção, representando uma inflexão relevante em relação à postura historicamente repressiva adotada pelo Estado.
O documento estabelece princípios para toda a cadeia produtiva, do cultivo licenciado à produção de derivados, com regras claras de supervisão e coordenação entre autoridades federais e provinciais. A política será implementada no âmbito do marco legal que instituiu a autoridade nacional responsável pela cannabis, órgão encarregado de emitir licenças, fiscalizar atividades, garantir conformidade regulatória e prevenir desvios ou usos ilícitos.
Segundo o governo paquistanês, o objetivo não é liberar o consumo recreativo, mas explorar de forma controlada o potencial econômico, científico e industrial da planta. A estratégia inclui o desenvolvimento da cannabis medicinal e do cânhamo industrial, com ênfase na inserção do país em um mercado global em expansão.
As autoridades destacam que o novo modelo permitirá maior controle estatal sobre a produção e a circulação, ao mesmo tempo em que cria um ambiente regulado para investimentos privados e inovação tecnológica. O Paquistão aposta em suas condições agrícolas favoráveis e no conhecimento local para se posicionar como fornecedor competitivo de matérias-primas e derivados legais.
A implementação prática da política dependerá agora da regulamentação detalhada, definição de critérios de licenciamento e articulação com os governos provinciais. O executivo acredita que a iniciativa poderá impulsionar o desenvolvimento industrial, ampliar a arrecadação e integrar o país ao comércio internacional de produtos derivados da cannabis dentro de parâmetros legais e sanitários.
