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Estudo aponta que extratos de cannabis aliviam sintomas relacionados ao câncer em cerca de metade dos pacientes

by Redação

Pesquisa canadense mostra melhora significativa em sintomas como ansiedade, fadiga e distúrbios do sono, reforçando a importância da personalização do tratamento com canabinoides

Um novo estudo clínico realizado por pesquisadores canadenses reforça o potencial terapêutico da cannabis medicinal no cuidado de pessoas com câncer. De acordo com os resultados, extratos de cannabis contendo diferentes proporções de THC e CBD proporcionaram melhora significativa em sintomas associados à doença, especialmente dificuldades para dormir, ansiedade e cansaço diurno.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, Universidade de Ottawa, Universidade de Manitoba e Queen’s University. O ensaio clínico foi randomizado, controlado por placebo e realizado em modelo triplo-cego, considerado um dos padrões mais rigorosos da pesquisa científica.

Os pesquisadores avaliaram a eficácia de três formulações distintas de cannabis medicinal: uma com predominância de THC, outra rica em CBD e uma terceira contendo proporções equivalentes dos dois canabinoides. Os resultados foram comparados com um grupo que recebeu placebo.

Segundo os autores, aproximadamente metade dos participantes apresentou benefícios clinicamente relevantes em pelo menos uma das formulações testadas.

“Os extratos de cannabis medicinal podem oferecer benefícios significativos para sintomas relacionados ao câncer em aproximadamente 50% dos pacientes, especialmente para problemas de sono e sintomas associados”, destacaram os pesquisadores.

Os dados revelaram que 56% dos pacientes relataram melhora considerada clinicamente relevante em comparação ao placebo após o uso de pelo menos um dos extratos avaliados. Entre os participantes que buscavam tratamento para dor, a taxa de resposta foi de 50%. Entre aqueles com problemas de sono, o índice chegou a 47%, enquanto pacientes com ansiedade apresentaram resposta positiva em 60% dos casos.

Um dos aspectos mais relevantes observados pelos cientistas foi que não houve uma formulação universalmente superior. Embora os extratos tenham demonstrado eficácia semelhante quando analisados em conjunto, a preferência individual dos pacientes variou significativamente.

Segundo o estudo, cerca de 66% dos participantes preferiram algum extrato contendo canabinoides ativos em vez do placebo, mas o produto considerado mais eficaz diferia de pessoa para pessoa.

Os pesquisadores afirmam que essa variabilidade pode estar relacionada às diferenças individuais no funcionamento do sistema endocanabinoide, responsável por regular processos como dor, humor, sono e resposta inflamatória.

“Embora fosse conveniente recomendar uma única formulação para todos os pacientes, isso claramente não atenderia às necessidades de uma população tão diversa”, observaram os autores.

A pesquisa também concluiu que a administração de doses de 2,5 miligramas de THC e CBD, três vezes ao dia, foi bem tolerada pelos participantes, sem registro de efeitos adversos graves.

Os resultados se somam a um número crescente de estudos que investigam o papel dos canabinoides no cuidado oncológico. Nos últimos anos, diversas pesquisas têm apontado benefícios da cannabis medicinal na redução de sintomas relacionados ao câncer e aos tratamentos convencionais, incluindo dor crônica, náuseas, ansiedade, insônia e perda de qualidade de vida.

Recentemente, uma revisão científica publicada na revista Pharmaceuticals concluiu que canabinoides apresentam efeitos antitumorais consistentes em modelos experimentais de glioblastoma e câncer de mama, além de demonstrarem potencial para aumentar a eficácia de determinados quimioterápicos.

Embora os autores do novo estudo ressaltem que a cannabis não substitui os tratamentos oncológicos convencionais, os resultados reforçam seu papel como ferramenta complementar no manejo de sintomas e na promoção da qualidade de vida de pacientes em tratamento contra o câncer.

Para os pesquisadores, o futuro da medicina canabinoide passa pela personalização terapêutica, respeitando as características biológicas e as necessidades individuais de cada paciente.

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