Se você usa cannabis para cuidar da saúde, dez minutos da sua experiência podem virar informação científica.
Pesquisadores do Laboratório de Cannabis e Psicodélicos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, a UNILA, estão convidando brasileiros que utilizam medicamentos ou produtos à base de cannabis para participar da UNILA-CANNAE.
A pesquisa quer entender melhor o que acontece durante o uso terapêutico da cannabis no dia a dia, com atenção especial aos chamados eventos adversos.
Na prática, os pesquisadores querem ouvir justamente quem já está usando esses produtos.
Podem participar pessoas com 18 anos ou mais, brasileiras e que utilizem cannabis para fins terapêuticos. O questionário é online, pode ser respondido pelo celular ou computador e leva aproximadamente dez minutos.
👉 Participe da pesquisa UNILA-CANNAE
Mas o que é um evento adverso?
O nome parece complicado, mas a ideia é simples.
Um evento adverso é qualquer ocorrência indesejada percebida durante o uso de um medicamento ou tratamento. Isso não significa automaticamente que o produto tenha causado aquele problema.
A própria Anvisa explica que o monitoramento desse tipo de ocorrência serve justamente para investigar possíveis relações, identificar riscos e compreender melhor a segurança dos medicamentos quando eles passam a ser usados por pessoas em situações reais. Serviços e Informações do Brasil
É uma diferença importante.
Sentir sonolência, alteração no apetite, tontura ou qualquer outro sintoma durante um tratamento, por exemplo, não prova sozinho que a cannabis tenha sido a responsável. Mas registrar essas experiências permite que pesquisadores encontrem padrões, façam comparações e investiguem melhor o que está acontecendo.
É esse tipo de informação que ajuda a construir o que se chama de farmacovigilância, área dedicada a acompanhar a segurança dos medicamentos depois que eles chegam à vida real dos pacientes. Serviços e Informações do Brasil
Experiência real também produz ciência
O Laboratório de Cannabis e Psicodélicos da UNILA reúne pesquisadores de áreas como Medicina, Farmácia, Biologia, Psicologia e Saúde Coletiva e desenvolve trabalhos relacionados a cannabis medicinal, farmacologia, pesquisa clínica, saúde mental e políticas sobre drogas.
A universidade já mantém projetos envolvendo cannabis em áreas como Alzheimer, Parkinson, fibromialgia, psoríase e osteoartrite, além de estudos sobre psicodélicos.
Esse histórico ajuda a mostrar porque levantamentos como o UNILA-CANNAE são relevantes.
Ensaios clínicos conseguem responder perguntas importantes em ambientes controlados. Mas acompanhar o que pacientes relatam enquanto utilizam cannabis fora desses estudos ajuda a acrescentar outra camada de informação.
É a cannabis medicinal na vida real.
Quanto maior e mais diverso for o número de participantes, maior pode ser a quantidade de informações disponíveis para os pesquisadores identificarem padrões que mereçam investigação.
Isso não significa que um questionário sozinho vá definir se um produto é seguro ou perigoso. Os relatos precisam ser analisados cientificamente. Mas eles podem ajudar a apontar perguntas que talvez não aparecessem de outra forma.
Quem pode participar
A participação é voltada a brasileiros com 18 anos ou mais que utilizem medicamentos ou produtos à base de cannabis para fins terapêuticos.
Não importa se o acesso acontece por importação, produtos disponíveis no Brasil ou outras formas previstas para o tratamento. O ponto central do levantamento é conhecer a experiência de quem utiliza cannabis com finalidade terapêutica.
O questionário é autoaplicável, voluntário e leva cerca de 10 minutos.
Segundo o convite divulgado pelo laboratório, a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o Parecer nº 7.828.129 e CAAE 90890825.8.0000.0107. A UNILA informa que os estudos de seu laboratório envolvendo participantes são submetidos à avaliação ética antes de começar.
Quem quiser acompanhar outras pesquisas abertas também pode seguir o laboratório no Instagram pelo @lcp.unila.
De paciente a participante da pesquisa
Durante muito tempo, boa parte da produção científica sobre cannabis foi construída distante da realidade brasileira.
Hoje, além de universidades ampliarem seus estudos sobre a planta, pacientes também podem contribuir diretamente para a produção de conhecimento.
Nesse caso, não é preciso entrar em um laboratório, passar por consultas ou participar de um ensaio clínico.
Basta contar a própria experiência.
E dez minutos respondendo perguntas podem ajudar pesquisadores a compreender um pouco melhor como a cannabis medicinal está sendo usada — e o que acontece com quem já faz esse tratamento no Brasil.
👉 Responder ao questionário UNILA-CANNAE




