Estudo com 5 mil participantes será realizado durante cinco anos no cantão de St. Gallen e avaliará como diferentes formas de acesso à cannabis legal influenciam o consumo, a saúde e a migração do mercado ilegal para o regulado.
A Suíça autorizou a realização de mais um projeto-piloto sobre o uso adulto de cannabis. O novo estudo, denominado CanLeg, será conduzido durante cinco anos no cantão de St. Gallen e contará com a participação de 5 mil voluntários. Trata-se do oitavo projeto aprovado pelo governo suíço desde o início do programa nacional de pesquisas, em 2023, e do primeiro a testar a entrega domiciliar de produtos de cannabis.
O projeto foi anunciado pela Swiss Cannabis Research Association e será conduzido pelo Instituto Econômico Suíço KOF, da ETH Zurich, em parceria com o Departamento de Economia da Universidade de Zurique. A coordenação ficará a cargo dos economistas Andreas Beerli e Michel Maréchal.
O principal objetivo da pesquisa é avaliar como diferentes formas de acesso à cannabis regulamentada influenciam os hábitos de consumo dos participantes. Para isso, o estudo utilizará o modelo de ensaio clínico randomizado, considerado um dos métodos mais robustos para comparação entre grupos.
Os 5 mil participantes serão distribuídos aleatoriamente em três grupos. Dois deles terão acesso legal aos produtos, sendo um por meio de farmácias e outro por entrega em domicílio. O terceiro grupo funcionará como grupo de controle e não receberá acesso à cannabis regulamentada durante o estudo.
A pesquisa será dividida em duas etapas. A primeira, com duração aproximada de dez semanas, analisará quanto os participantes estão dispostos a pagar por diferentes produtos e como avaliam aspectos como qualidade e apresentação.
Na segunda fase, que poderá durar até quatro anos, os pesquisadores acompanharão os efeitos do acesso legal à cannabis sobre o comportamento de consumo, indicadores de saúde e a possível substituição das compras realizadas no mercado ilegal.
Os participantes terão acesso a um amplo portfólio de produtos fornecidos por empresas suíças autorizadas. O catálogo inclui 13 variedades de flores de cannabis, quatro tipos de haxixe, quatro óleos ricos em THC, cinco produtos para vaporização e quatro alimentos infusionados com cannabis.
Os participantes que receberão os produtos por meio das farmácias poderão realizar as compras em unidades localizadas nas cidades de Sargans, Buchs e Rorschach, além dos Swiss Cannabis Centres de Wil e Rapperswil-Jona.
Um dos diferenciais do CanLeg é que todos os voluntários deverão apresentar, na entrevista inicial, uma amostra de dois gramas da cannabis que atualmente adquirem no mercado ilegal. A medida foi autorizada pelo Escritório Federal de Saúde Pública da Suíça (FOPH) e permitirá que os pesquisadores comparem a qualidade dos produtos ilícitos com os disponibilizados legalmente, além de acompanhar a migração dos consumidores para o mercado regulado ao longo da pesquisa.
Assim como a maior parte dos projetos aprovados até agora, o CanLeg seguirá um modelo comercial, no qual os produtos são vendidos por empresas autorizadas por meio de farmácias, estabelecimentos especializados e serviços de entrega. Dos oito projetos-piloto autorizados pelo governo suíço até o momento, cinco adotam esse modelo comercial, enquanto os demais operam em formatos sem fins lucrativos, sob monopólio estatal ou em sistemas mistos.
Os projetos-piloto fazem parte da estratégia suíça para reunir evidências científicas que subsidiem a elaboração de uma política nacional de regulamentação da cannabis para uso adulto. Paralelamente aos estudos, o país também discute uma proposta de legalização do mercado recreativo, atualmente em fase de consulta pública.
