Artigo aponta que, após a reclassificação da planta, cristãos poderiam recorrer ao tratamento com base em princípios religiosos
Um ex-funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos argumenta que o uso medicinal da cannabis por cristãos pode ser biblicamente justificado, caso a planta seja reclassificada pelo governo federal. A análise foi publicada na revista Indiana Health Law Review, no artigo “Christian Faith and Marijuana Use After Federal Rescheduling”.
Segundo Melvin Otey, professor da Faulkner University e ex-advogado do setor de crime organizado do DOJ, a eventual mudança da cannabis da lista I para a lista III da Lei de Substâncias Controladas abriria espaço para que fiéis a utilizassem de forma terapêutica, assim como acontece com outros fármacos. Para ele, “após a reclassificação e de acordo com princípios bíblicos, as pessoas presumivelmente poderão usá-la terapeuticamente, assim como usam outros intoxicantes para suas necessidades legítimas de saúde”.
Otey ressalta, porém, que o uso recreativo continuaria incompatível com os valores religiosos. Além disso, a reclassificação não significaria legalização plena: a cannabis ainda permaneceria como substância controlada, e seu uso médico dependeria de aprovação pela FDA, algo que especialistas consideram improvável no curto prazo devido à resistência em relação a medicamentos de origem botânica.
O ex-oficial observa que, apesar da criminalização em nível federal, há fortes sinais de que a reclassificação deve ocorrer em breve. Ele também relaciona a tendência de descriminalização à teoria econômica clássica, segundo a qual a legalização amplia o acesso e reduz preços, fatores que podem aumentar o consumo.
Pesquisas recentes, no entanto, indicam que pessoas religiosas ainda são menos propensas a apoiar a legalização da cannabis em comparação com ateus e não religiosos. Enquanto isso, a proposta de mudança segue em análise política. O ex-presidente Donald Trump já endossou a reclassificação durante sua campanha e afirmou recentemente que uma decisão é iminente, embora sem revelar sua posição atual.
