Análise de estudos publicados entre 2010 e 2024 indica redução média de 40% nas lesões após uso tópico por 12 semanas, mas pesquisadores ressaltam que evidências ainda são preliminares.
Uma revisão científica publicada na revista Molecules concluiu que o canabidiol (CBD) apresenta potencial para auxiliar no tratamento da acne inflamatória leve a moderada. A análise reuniu resultados de mais de uma dezena de estudos publicados entre 2010 e 2024 e observou que produtos tópicos à base de CBD proporcionaram, em média, uma redução de 40% nas lesões de acne após 12 semanas de tratamento.
O trabalho avaliou pesquisas experimentais e clínicas que investigaram os efeitos de extratos de cânhamo ricos em CBD sobre processos inflamatórios e a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, dois dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento da acne.
Segundo os autores, as evidências disponíveis indicam que os extratos contendo CBD apresentam ações anti-inflamatórias e reguladoras da produção de sebo, características que podem contribuir para o controle da doença.
“Os extratos de cânhamo contendo CBD demonstram um potencial biologicamente plausível e clinicamente promissor como terapia complementar para acne inflamatória leve a moderada”, afirmam os pesquisadores.
Os cientistas destacam, no entanto, que o CBD deve ser encarado como uma terapia adjuvante, ou seja, complementar aos tratamentos convencionais, e não como substituto das abordagens já consolidadas na prática clínica.
Entre os estudos analisados estavam pesquisas em culturas celulares, tecidos laboratoriais e ensaios clínicos com pacientes. Em conjunto, os resultados mostraram que o CBD foi capaz de modular importantes mediadores inflamatórios, reduzir a vermelhidão da pele e diminuir o número de lesões acneicas.
Apesar dos resultados promissores, a revisão identificou evidências limitadas sobre a capacidade do CBD de combater diretamente as bactérias associadas à acne ou de produzir benefícios clínicos duradouros quando utilizado isoladamente.
Os pesquisadores, vinculados à Universidade de Tecnologia de Tshwane, na África do Sul, ressaltam que ainda são necessários ensaios clínicos mais robustos, com formulações padronizadas, metodologias uniformes e maior número de participantes para confirmar a eficácia e estabelecer protocolos seguros de utilização.
“A evidência atual posiciona os extratos de cânhamo contendo CBD como cosmecêuticos promissores para acne inflamatória, mas ainda são necessárias pesquisas metodologicamente rigorosas para esclarecer sua relevância clínica”, concluem os autores.
O interesse pelos canabinoides na dermatologia tem crescido nos últimos anos. Estudos recentes também apontam que outros compostos da cannabis, como THCV, CBDV, CBC, CBN e CBGD, podem apresentar propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes com potencial para o tratamento de doenças de pele como psoríase, dermatite atópica e eczema.
Além disso, revisões científicas anteriores sugerem que formulações tópicas à base de cannabis podem favorecer a cicatrização de feridas e reduzir danos causados pela radiação ultravioleta, embora essas aplicações também dependam de estudos clínicos de maior qualidade para confirmação.
