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Marcha da Maconha reúne 7,4 mil pessoas em São Paulo e reforça debate sobre regulamentação da cannabis

by Redação

Levantamento da USP e do Cebrap aponta redução no número de participantes em relação às edições anteriores; ato reuniu pacientes, familiares, ativistas e movimentos sociais na Avenida Paulista.

A 18ª edição da Marcha da Maconha levou aproximadamente 7,4 mil pessoas à Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (21), segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e da Universidade de São Paulo (USP), realizado em parceria com a organização More in Common.

A estimativa considera uma margem de erro de 12%, indicando que o público presente no momento de maior concentração variou entre 6,5 mil e 8,3 mil pessoas. O pico da manifestação foi registrado às 16h.

A contagem foi realizada por meio de imagens aéreas captadas por drone e analisadas com auxílio de inteligência artificial. Os pesquisadores registraram fotografias em diferentes horários do ato e utilizaram um software capaz de identificar automaticamente cada pessoa presente a partir da marcação das cabeças visíveis nas imagens.

Realizada tradicionalmente na capital paulista, a Marcha reuniu pacientes, familiares, profissionais da saúde, ativistas e organizações da sociedade civil em defesa da regulamentação da cannabis e da revisão da política de drogas no Brasil.

Em manifesto divulgado antes da mobilização, os organizadores definiram a Marcha como um movimento “autônomo, antirracista e antifascista” e afirmaram que a manifestação busca ampliar o debate sobre a política de drogas e seus impactos sociais.

Ao longo do percurso, cartazes e faixas chamaram atenção para diferentes pautas relacionadas à cannabis, incluindo a ampliação do acesso aos medicamentos derivados da planta, críticas à criminalização e mensagens em defesa dos direitos humanos. O público foi composto por pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo idosos, famílias com crianças e jovens adultos.

Entre os participantes estava a professora de educação infantil Stephanie Oliveira, que participou da Marcha pela primeira vez. Ela contou que sua mãe utiliza cannabis medicinal para auxiliar no tratamento de dores crônicas e distúrbios do sono.

Segundo Stephanie, o preconceito em torno do tema ainda influencia a forma como muitas pessoas se posicionam publicamente sobre a cannabis.

“Cheguei a pensar se deveria postar, mas considero o movimento importante. Vou publicar independentemente de julgamentos, porque é uma causa que eu apoio, mesmo não fumando”, afirmou.

O crescimento do acesso à cannabis medicinal também esteve presente nas discussões durante o ato. De acordo com o Anuário da Kaya Mind, referência na produção de dados sobre o setor no Brasil, cerca de 50 mil pessoas utilizam atualmente produtos à base de cannabis no país para fins terapêuticos, número que vem crescendo nos últimos anos com o avanço das regulamentações e da prescrição médica.

Além da defesa da regulamentação do uso adulto, a Marcha da Maconha também se consolidou como espaço de mobilização de pacientes, familiares e profissionais que reivindicam maior acesso aos tratamentos com cannabis medicinal, redução do estigma e políticas públicas baseadas em evidências científicas.

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