Durante a Cannabis Fair 2026, CEO da empresa defendeu um modelo mais acessível de cuidado e destacou crescimento da demanda por produtos voltados ao bem-estar, ansiedade e qualidade do sono
Nos corredores da Cannabis Fair 2026, uma das empresas veteranas do setor chamou atenção pela defesa de um modelo de cannabis medicinal menos burocrático e mais conectado ao cotidiano da população brasileira. Em entrevista concedida no estande da marca, Joaquim Dias de Castro, CEO da Equilibra, afirmou que a empresa vem ampliando sua atuação para atender um público que busca qualidade de vida, bem-estar e equilíbrio emocional, para além de diagnósticos graves.
Segundo ele, a Equilibra foi uma das primeiras empresas do setor a operar no Brasil sem produção própria de cannabis. Em vez de cultivar ou extrair, a companhia atua como uma plataforma de curadoria e importação de produtos internacionais.

“A gente é um portal, um marketplace. Selecionamos distintas marcas do mundo inteiro. Já trabalhamos com Reino Unido, Israel, Uruguai e Colômbia, mas hoje cerca de 90% dos produtos vêm dos Estados Unidos”, explicou.
A primeira venda da empresa aconteceu em abril de 2021, ainda nos primeiros anos da regulamentação da cannabis medicinal no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desde então, a empresa consolidou um relacionamento voltado principalmente para médicos e dentistas prescritores.
“Nosso relacionamento principal é com o médico. A gente entende que o acompanhamento profissional é essencial nesse processo”, afirmou Joaquim.
Esse vínculo com prescritores serviu de base para a criação da Equilibra Wellness, braço lançado em julho de 2025 e liderado pelos executivos Jeferson Araujo Rodrigues e o médico psiquiatra Pietro Vanni. Com foco em pacientes interessados em bem-estar, redução de estresse, melhora do sono e aumento da concentração.
“A cannabis medicinal sempre foi muito associada a Parkinson, Alzheimer, autismo e dor crônica. Mas a gente percebeu que existe um público enorme que busca bem-estar. Pessoas que viajaram para Portugal ou Irlanda, conheceram produtos com CBD, gostaram da experiência e querem acessar isso legalmente no Brasil”, disse.
De acordo com Joaquim, a nova frente nasceu após a empresa perceber que apenas cerca de 5% das prescrições da Equilibra tradicional estavam relacionadas a sintomas mais leves, como ansiedade, insônia e estresse, apesar de esses quadros afetarem uma parcela significativa da população brasileira.
“Se você olhar os dados, entre 30% e 40% da população apresenta algum grau de ansiedade, estresse ou dificuldade para dormir. E a insônia talvez tenha números ainda maiores”, afirmou.
A proposta da Equilibra Wellness é justamente simplificar o acesso para pacientes considerados saudáveis, sem abrir mão da supervisão médica. O modelo funciona por telemedicina, mas com consultas conduzidas por profissionais capacitados.
“A consulta de cannabis não se faz com um clique. Isso a gente aprendeu ao longo desses anos”, afirmou Joaquim. “Mesmo no Wellness, são consultas de cerca de 20 minutos, com presença médica. Não é uma consulta automática de cinco minutos.”

Segundo ele, o diferencial está no perfil do paciente atendido. Enquanto casos complexos exigem investigação clínica aprofundada, o braço wellness atende pessoas sem contraindicações importantes, interessadas principalmente em equilíbrio emocional, foco e qualidade de vida.
O movimento acompanha uma tendência global de normalização da cannabis como ferramenta de cuidado cotidiano e prevenção, rompendo com décadas de estigma proibicionista que restringiram o acesso à planta apenas a situações extremas ou patologias graves.
Na avaliação do CEO, o mercado brasileiro vive um momento de amadurecimento, com consumidores mais informados e médicos cada vez mais abertos à prescrição de canabinoides.
“A gente percebe que o público quer um cuidado mais integrado. Não necessariamente porque está doente, mas porque quer viver melhor”, concluiu.
