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Cannabis Company aposta em modelo híbrido e inicia expansão nacional com foco em acesso à cannabis medicinal

by Redação

Empresa projeta rede de franquias após fase com consultores regionais e mira crescimento em um mercado que já se aproxima de R$ 1 bilhão no Brasil

A Cannabis Company inicia, a partir de abril, um novo ciclo de expansão no Brasil com uma estratégia que combina capilaridade territorial e estruturação gradual de mercado. A empresa, que se posiciona como a primeira farmácia nacional dedicada exclusivamente à cannabis medicinal com produtos à pronta-entrega, aposta em um modelo híbrido dividido em duas fases: atuação regional com consultores especializados e, posteriormente, a implementação de uma rede de franquias.

A primeira etapa será concentrada na cidade de São Paulo e região metropolitana, onde entram em operação os chamados “consultores canábicos”. Esses profissionais atuarão como ponte entre médicos prescritores, pacientes e a operação central da empresa, oferecendo suporte à prescrição, orientação e encaminhamento de receitas, enquanto a logística de entrega seguirá centralizada.

Segundo a sócia fundadora Michele Farran, o objetivo é reduzir barreiras ainda presentes no acesso à cannabis medicinal no país. A estratégia aposta na educação como eixo central. “Os consultores terão papel fundamental na formação desse mercado, apoiando médicos e pacientes em todas as etapas do processo”, afirma.

A movimentação ocorre em um cenário de forte crescimento do setor. De acordo com o Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil 2025, elaborado pela Kaya Mind, o mercado movimentou cerca de R$ 971 milhões no último ano, com crescimento superior a 8%. O mesmo levantamento aponta que o Brasil já soma aproximadamente 873 mil pacientes em tratamento com cannabis medicinal.

Esse avanço tem sido acelerado. Ainda segundo a Kaya Mind, o número de pacientes cresceu cerca de 30% em um ano, indicando expansão consistente da demanda. O dado também revela a interiorização do acesso, já que cerca de 85% dos municípios brasileiros registram ao menos um paciente em tratamento.

O crescimento é sustentado por diferentes vias de acesso, como importações autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, produtos disponíveis em farmácias e atuação de associações de pacientes. Paralelamente, a base médica também se expande, com dezenas de milhares de profissionais já aptos a prescrever terapias com canabinoides no país.

As projeções indicam que o setor deve ultrapassar R$ 1,1 bilhão ainda em 2026 e pode atingir até R$ 9,5 bilhões no médio prazo, conforme estimativas da própria Kaya Mind, à medida que a regulação avance e o acesso seja ampliado.

Diante desse cenário, a Cannabis Company optou por uma expansão gradual. Antes de avançar para o franchising, a empresa pretende validar seu modelo operacional por meio dos consultores regionais, garantindo padronização, eficiência logística e compreensão das demandas locais.

“O formato nos permite crescer com controle e proximidade, entendendo melhor cada mercado antes de escalar”, explica Michele Farran. A seleção dos consultores inclui análise de perfil, referências e, preferencialmente, experiência no setor farmacêutico. Os profissionais passam por capacitação financiada pela empresa, em parceria com a BCA Advogados.

A expectativa é que cada operação regional alcance faturamento médio mensal de R$ 150 mil após o período de maturação. No longo prazo, a segunda fase prevê a criação de uma rede de franquias, ampliando a presença física da marca em diferentes regiões do país.

O avanço da empresa reflete uma transformação mais ampla no setor. O mercado brasileiro de cannabis medicinal deixa de ser um nicho e passa a se consolidar como um ecossistema complexo, envolvendo indústria farmacêutica, profissionais de saúde, associações e novos modelos de varejo.

Em um ambiente ainda marcado por desafios regulatórios, custo elevado e necessidade de informação, iniciativas que combinam educação, capilaridade e simplificação de acesso tendem a ganhar protagonismo.

Ao priorizar estrutura antes de escala, a Cannabis Company sinaliza um movimento estratégico importante: mais do que crescer rapidamente, o desafio agora é organizar e consolidar um mercado que ainda está em construção no Brasil.

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