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Abertura de dispensários de cannabis recreativa nos EUA é associada à queda em mortes autoinfligidas entre adultos mais velhos, aponta estudo

by Redação

Pesquisa do National Bureau of Economic Research analisou 22 anos de dados norte-americanos e identificou redução discreta, porém consistente, entre pessoas com 45 anos ou mais após a abertura de lojas licenciadas

Um estudo divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER), um dos principais centros de pesquisa econômica dos Estados Unidos, identificou que estados norte-americanos que abriram dispensários de cannabis recreativa registraram queda nas taxas de mortes autoinfligidas entre adultos com mais de 45 anos. A análise utilizou dados mensais compilados no país entre 2000 e 2022.

As pesquisadoras observaram uma redução modesta, mas estatisticamente significativa, após a entrada em operação das lojas. O efeito foi mais evidente entre homens — grupo que historicamente apresenta prevalência maior desse tipo de ocorrência e que também recorre com frequência à cannabis para manejo de dor crônica, condição associada a maior risco de comportamentos autolesivos.

O relatório destaca que o mesmo padrão não foi identificado entre adultos jovens nem em estados que legalizaram a cannabis recreativa, mas ainda não tinham dispensários funcionando. Para as autoras, isso sugere que o acesso real ao produto, e não apenas mudanças legais, parece ser a variável determinante.

“Encontramos queda nas taxas entre as faixas etárias mais velhas após a abertura dos dispensários de cannabis recreativa”, afirmam as economistas Sara Markowitz, da Emory University, e Katie E. Leinenbach, da Demand Side Analytics. O estudo ainda não passou por revisão por pares.

O trabalho também não encontrou evidências de que a disponibilidade de cannabis aumente esses eventos — argumento comumente citado por setores contrários à legalização. Ao contrário, as autoras apontam que potenciais benefícios terapêuticos, especialmente no alívio da dor crônica, podem reduzir fatores de risco associados.

A publicação chega em um momento em que os Estados Unidos registram níveis elevados de mortes autoinfligidas entre adultos de meia-idade e idosos. Apesar de o impacto identificado ser discreto, os pesquisadores destacam que mudanças pequenas podem ser relevantes para políticas públicas.

Para evitar conclusões distorcidas, o estudo comparou a influência do acesso à cannabis a outras variáveis, como impostos sobre álcool e tabaco e políticas para opioides, incluindo limites de prescrição e monitoramento.

A abertura de dispensários também se encaixa em um conjunto crescente de pesquisas que investigam os efeitos da cannabis entre adultos mais velhos. Estudos recentes, financiados pelo governo dos EUA e realizados com milhares de participantes no Reino Unido, apontaram que consumidores de cannabis tiveram desempenho cognitivo superior ao de não usuários em múltiplos domínios, com padrões cerebrais semelhantes aos de pessoas mais jovens. Outra pesquisa, que acompanhou mais de cinco mil homens ao longo de 44 anos, não encontrou efeitos negativos da cannabis no declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento e, em alguns casos, identificou menor perda cognitiva entre usuários.

As autoras afirmam que novas pesquisas são necessárias para entender os mecanismos por trás da associação observada. Ainda assim, ressaltam que os resultados sugerem possíveis benefícios da legalização da cannabis recreativa e reforçam evidências de que o acesso regulado à planta pode gerar impacto positivo em saúde pública, especialmente entre adultos mais vulneráveis.

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