Coalizão bipartidária cobra agilidade na análise de tratamentos com psilocibina e MDMA para transtornos mentais resistentes
Um grupo bipartidário formado por 32 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta à Food and Drug Administration pedindo agilidade na análise regulatória de terapias assistidas por psicodélicos para tratamento de transtornos mentais graves.
O documento foi liderado pelos deputados Jack Bergman e Lou Correa, copresidentes do Congressional Psychedelics Advancing Therapies Caucus, grupo parlamentar dedicado ao avanço de pesquisas e políticas envolvendo substâncias psicodélicas.
Na carta enviada ao comissário da FDA, Marty Makary, os parlamentares afirmam que muitos pacientes continuam sem respostas adequadas dentro dos tratamentos tradicionais, agravando uma crise de saúde pública já considerada urgente.
Segundo os congressistas, veteranos de guerra, médicos e familiares têm buscado alternativas terapêuticas baseadas em evidências científicas para condições como transtorno de estresse pós-traumático, lesões cerebrais traumáticas e outros transtornos neuropsiquiátricos resistentes aos tratamentos convencionais.
Os parlamentares também demonstraram apoio à recente declaração de Makary, que classificou os tratamentos psicodélicos como prioridade da atual gestão da FDA e do governo federal.
O movimento ocorre após o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA anunciar medidas para acelerar o acesso terapêutico a psicodélicos em pacientes com transtornos mentais graves. A iniciativa veio na sequência de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump relacionada à ampliação das pesquisas e avaliações regulatórias sobre o tema.
Na carta, os parlamentares pedem que a FDA conduza revisões rápidas para terapias consideradas promissoras, mas ressaltam que o processo deve manter rigor científico e critérios de segurança.
O grupo também cobra maior clareza regulatória em relação aos ensaios clínicos envolvendo substâncias como MDMA, psilocibina e ibogaína.
Entre os principais questionamentos estão os critérios metodológicos utilizados pela agência, mecanismos para reduzir vieses em pesquisas clínicas, monitoramento de eventos adversos, exigências para treinamento de profissionais e definição do papel da psicoterapia associada ao uso das substâncias.
Os congressistas também querem saber quando a FDA pretende concluir diretrizes específicas para estudos clínicos com terapias psicodélicas e substâncias de ação rápida.
A carta reforça ainda a preocupação com o acesso de veteranos militares a novos tratamentos para saúde mental. O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., declarou recentemente que o governo trabalha para criar um caminho regulatório que permita disponibilizar terapias psicodélicas “o mais rápido possível” para pacientes, especialmente militares que sofrem com transtornos psicológicos graves.
Em entrevista ao podcast de Joe Rogan, Kennedy afirmou acreditar que novas regras poderão permitir o uso terapêutico controlado dessas substâncias em casos como depressão e transtorno de estresse pós-traumático.
O debate também avançou no Congresso norte-americano. Parlamentares apresentaram propostas para destinar US$ 30 milhões anuais à criação de centros especializados em terapias psicodélicas dentro do sistema de saúde para veteranos dos EUA.
Além disso, um comitê do Senado realizou recentemente uma audiência sobre um projeto que prevê a criação de um escritório específico para impulsionar pesquisas com psicodélicos e revisar a classificação legal de substâncias como psilocibina, MDMA e ibogaína.
O crescimento do apoio institucional e científico evidencia uma mudança significativa na forma como os psicodélicos vêm sendo encarados nos Estados Unidos, deixando de ser tratados apenas sob a lógica proibicionista e passando a ocupar espaço relevante no debate sobre inovação em saúde mental.
