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Estudo aponta que psilocibina pode ajudar no tratamento da dependência de cocaína

by Redação

Pesquisa publicada pela Associação Médica Americana indica redução significativa no uso da substância após terapia assistida com psicodélico

Uma nova pesquisa publicada pela American Medical Association revelou resultados promissores para o tratamento do transtorno por uso de cocaína com psilocibina, substância psicodélica presente nos chamados cogumelos mágicos. Segundo o estudo, uma única dose da substância, combinada com psicoterapia, demonstrou ser uma alternativa “segura e eficaz” para pacientes com dependência de cocaína.

Os resultados foram divulgados na revista científica JAMA Substance Use and Addiction e chamam atenção em um cenário no qual ainda não existem medicamentos comprovadamente eficazes para tratar esse tipo de dependência.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade do Alabama, da Universidade Johns Hopkins e do Karolinska Institute.

O ensaio clínico randomizado envolveu 36 participantes diagnosticados com transtorno por uso de cocaína. Todos passaram por sessões de psicoterapia com abordagem cognitivo-comportamental antes e depois da administração da substância.

Durante a etapa principal do estudo, os participantes receberam aleatoriamente uma dose de psilocibina ou placebo em uma sessão monitorada de um dia inteiro. Os pesquisadores observaram que o grupo tratado com psilocibina apresentou maior número de dias sem consumo de cocaína, taxas mais elevadas de abstinência completa e menor risco de recaída ao longo do acompanhamento.

A confirmação da abstinência foi realizada por exames laboratoriais de urina.

Segundo os autores, o estudo é o primeiro ensaio clínico randomizado a demonstrar que a psilocibina associada à psicoterapia pode ser eficaz no tratamento do transtorno por uso de cocaína.

Além dos resultados clínicos, os pesquisadores destacaram a diversidade dos participantes incluídos na pesquisa. O estudo contou com pessoas negras e indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, grupos historicamente sub-representados em pesquisas com psicodélicos.

Para os cientistas, a inclusão dessas populações ajuda a ampliar a compreensão sobre os potenciais terapêuticos da psilocibina em contextos sociais mais amplos, especialmente entre pessoas mais afetadas pelos impactos da criminalização e da dependência química.

O avanço das pesquisas ocorre em meio ao crescimento do debate internacional sobre o uso terapêutico de substâncias psicodélicas. Nos últimos anos, estudos têm apontado benefícios potenciais da psilocibina em tratamentos relacionados ao tabagismo, alcoolismo, depressão e transtornos ligados ao uso de opioides.

Pesquisas anteriores publicadas pela própria AMA mostraram que a psilocibina também pode aumentar significativamente as taxas de abandono do cigarro quando combinada com terapia psicológica.

Ao mesmo tempo, cientistas e entidades de saúde vêm alertando que a classificação federal dessas substâncias como drogas proibidas ainda representa uma barreira importante para o avanço das pesquisas clínicas.

Nos Estados Unidos, o interesse científico e social pelos psicodélicos cresceu rapidamente nos últimos anos, acompanhado por mudanças legislativas e investimentos públicos em estudos sobre tratamentos para dependência química e saúde mental.

O National Institutes of Health, por exemplo, destinou milhões de dólares para pesquisas envolvendo psicodélicos no tratamento de dependência de metanfetamina e outras substâncias estimulantes.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que novos estudos com amostras maiores ainda serão necessários para confirmar os resultados observados e aprofundar a compreensão sobre segurança, eficácia e efeitos de longo prazo da psilocibina no tratamento da dependência de cocaína.

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