Pesquisa publicada pela Associação Médica Americana indica que tratamento com psilocibina aliado à psicoterapia promove melhora rápida e duradoura em pacientes com depressão moderada a grave
Um estudo inédito realizado na Suécia aponta que uma única dose de psilocibina, substância psicodélica presente em determinados cogumelos, pode reduzir de forma rápida e significativa os sintomas de depressão quando associada à psicoterapia.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Karolinska Institutet e da Brain Stimulation Clinic, em Estocolmo, e publicada na revista científica American Medical Association por meio do periódico JAMA Psychiatry.
O ensaio clínico de fase 2 envolveu 35 pacientes com depressão moderada a grave. Os participantes receberam uma dose única de 25 miligramas de psilocibina ou placebo à base de niacina, além de participarem de cinco sessões de psicoterapia antes e depois da experiência.
Segundo os pesquisadores, os pacientes que receberam psilocibina apresentaram melhora clínica perceptível já no oitavo dia após o tratamento.
“A single dose of psilocybin was associated with rapid antidepressant effects”, destaca o estudo.
Após seis semanas, 53% dos participantes que receberam psilocibina entraram em remissão do quadro depressivo. No grupo placebo, apenas 6% apresentaram o mesmo resultado no período.
O principal autor da pesquisa, Hampus Yngwe, afirmou que os resultados sugerem que a psilocibina pode representar uma alternativa relevante para tratamentos convencionais, especialmente em casos que exigem resposta rápida.
“Nossos resultados sugerem que a psilocibina pode proporcionar melhora clínica rápida e significativa na depressão”, afirmou o pesquisador em comunicado divulgado pela instituição.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores observaram que os efeitos tendem a diminuir ao longo do tempo. Após um ano, parte dos participantes apresentou recaída nos sintomas depressivos.
Segundo os autores, isso indica que aplicações repetidas ou terapias de manutenção podem ser necessárias para prolongar os efeitos do tratamento.
O professor de neurociência Johan Lundberg ressaltou que o tratamento não é isento de riscos e requer acompanhamento especializado.
“É importante enfatizar que o tratamento não é livre de riscos e alguns pacientes podem precisar de suporte adicional”, afirmou.
O estudo é o primeiro ensaio clínico randomizado e duplo-cego realizado na Suécia para investigar o uso da psilocibina no tratamento da depressão. A pesquisa recebeu financiamento do Conselho Sueco de Pesquisa e da organização Norrsken Mind.
Os resultados se somam a uma crescente quantidade de estudos que investigam o potencial terapêutico dos psicodélicos em transtornos mentais e dependência química.
Recentemente, outra pesquisa publicada pela American Medical Association apontou que a psilocibina associada à psicoterapia apresentou resultados promissores no tratamento do transtorno por uso de cocaína.
Outros estudos também relacionaram o uso terapêutico da substância à redução do consumo de álcool, tabaco e opioides.
O avanço das pesquisas ocorre em paralelo ao crescimento das discussões regulatórias sobre psicodélicos nos Estados Unidos. O governo do presidente Donald Trump vem sinalizando apoio à ampliação de estudos envolvendo substâncias como psilocibina, MDMA e ibogaína para tratamentos de saúde mental, especialmente em veteranos de guerra e pacientes com transtorno de estresse pós-traumático.
