Estudo mostra que terpenos podem ser tão eficazes quanto morfina para dor crônica, com menos efeitos colaterais
04 de novembro de 2024

Uma pesquisa realizada por cientistas do Comprehensive Center for Pain & Addiction da Universidade do Arizona sugere que terpenos presentes na canábis podem oferecer alívio para a dor neuropática crônica, com um perfil de efeitos colaterais significativamente menor do que o da morfina. Essas descobertas abrem portas para alternativas mais seguras no tratamento da dor, potencialmente reduzindo a dependência de opióides e melhorando a qualidade de vida dos pacientes, conforme explica o principal autor do estudo, John Streicher, PhD.
O estudo, publicado na revista PAIN, analisou cinco terpenos predominantes na canábis: alfa-humuleno, beta-cariofileno, beta-pineno, geraniol e linalol. Os resultados mostraram que esses compostos da Cannabis sativa têm eficácia comparável à da morfina na redução da dor neuropática crônica. Além disso, a combinação de terpenos com morfina potencializou o efeito analgésico, sem gerar efeitos colaterais indesejados.
Embora pesquisas anteriores tenham indicado que a canábis e seus principais canabinóides, THC e CBD, podem aliviar a dor crônica, esses efeitos costumam ser moderados e, no caso do THC, podem ser acompanhados de efeitos psicotrópicos indesejados. Os terpenos, que são responsáveis pelo aroma e sabor das plantas, apresentam uma alternativa que promete aliviar a dor sem esses efeitos adversos.
Streicher, que é professor de farmacologia no College of Medicine de Tucson, ressalta que “os terpenos são eficazes para um tipo específico de dor crônica, com efeitos colaterais baixos e controláveis”. Um aspecto crucial do estudo foi a avaliação da segurança dos terpenos. Ao contrário dos opióides, que têm alto potencial de dependência e podem causar efeitos graves, como depressão respiratória, os terpenos testados não apresentaram risco de recompensa, tornando-se menos suscetíveis à dependência.
Os pesquisadores testaram as propriedades de cinco terpenos encontrados na canábis, utilizando um modelo animal que simula a dor neuropática induzida por quimioterapia. Os resultados mostraram que cada terpeno reduziu a dor a níveis semelhantes ou superiores aos da morfina, e suas combinações aumentaram ainda mais a eficácia analgésica.
A pesquisa também explorou diferentes formas de administração dos terpenos, como injeção, ingestão oral e inalação. Os pesquisadores ficaram surpresos ao constatar que a inalação não teve impacto significativo nos resultados, o que contrasta com relatos anedóticos de eficácia em métodos de uso popular.
Streicher planeja usar esses achados para futuras investigações sobre a possibilidade de criar terapias combinadas que integrem opióides e terpenos, visando potencializar o alívio da dor enquanto bloqueiam o risco de dependência.
A pesquisa contou com a colaboração de outros membros da Faculdade de Medicina de Tucson e foi parcialmente financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde.
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