Pesquisa identificou queda média de 6,9% no absenteísmo relacionado à saúde após a adoção de programas de cannabis medicinal, com impactos mais expressivos em setores de trabalho fisicamente exigentes.
O acesso legal à cannabis medicinal pode contribuir para a redução das faltas ao trabalho causadas por problemas de saúde. É o que indica um estudo publicado no Journal of Workplace Behavioral Health, que analisou dados de mais de 20 milhões de trabalhadores norte-americanos entre 1990 e 2025.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade do Sul do Maine e da Universidade da Geórgia e investigou os efeitos das leis estaduais de cannabis medicinal sobre o absenteísmo relacionado a doenças, lesões e outras condições médicas. Os resultados apontaram uma redução média de 6,9% nas ausências após a implementação desses programas.
Segundo os autores, os efeitos mais significativos foram observados em ocupações que envolvem esforço físico intenso, dor crônica, movimentos repetitivos e elevados níveis de estresse ocupacional. Para os pesquisadores, os dados sugerem que o acesso à cannabis medicinal pode ajudar trabalhadores a controlar sintomas que normalmente comprometem sua capacidade de permanecer ativos profissionalmente.
Entre as categorias profissionais analisadas, os maiores impactos ocorreram entre trabalhadores braçais, que registraram redução de 39% nas faltas relacionadas à saúde. Operadores de máquinas industriais apresentaram queda de 33%, seguidos por profissionais de serviços de saúde, com redução de 32%. Trabalhadores rurais registraram diminuição de 18%, enquanto os setores de alimentação e construção civil apresentaram redução de 10%.
A análise por segmento econômico também revelou resultados expressivos. No setor de manufatura de bens duráveis, o absenteísmo caiu 31%. Já na fabricação de bens não duráveis, a redução foi de 16%. A agricultura registrou queda de 16%, a construção civil de 9% e o setor de serviços empresariais de 8%.
Os pesquisadores afirmam que os resultados são compatíveis com a hipótese de que a cannabis medicinal atua como uma ferramenta adicional de manejo de sintomas, especialmente dor crônica, contribuindo para melhorar a capacidade funcional dos trabalhadores e reduzir afastamentos.
“O estudo identifica um efeito estatisticamente significativo e quantitativamente relevante das leis de cannabis medicinal nos Estados Unidos sobre a redução do absenteísmo relacionado à saúde no ambiente de trabalho”, destacam os autores.
Em contrapartida, a pesquisa não encontrou evidências de que a legalização do uso adulto da cannabis tenha produzido impactos significativos sobre as taxas de faltas ao trabalho. Embora tenha sido observada uma tendência de aumento, os dados não apresentaram significância estatística suficiente para estabelecer uma relação consistente.
Os resultados se somam a uma crescente literatura científica que aponta benefícios econômicos e sociais associados ao acesso regulado à cannabis medicinal. Estudos anteriores já haviam demonstrado redução nos custos de indenizações trabalhistas, diminuição do uso de opioides e analgésicos prescritos e até mesmo queda em acidentes de trabalho em estados que adotaram políticas de legalização.
Uma pesquisa publicada pelo National Bureau of Economic Research em 2021 concluiu que a regulamentação da cannabis para uso adulto esteve associada ao aumento da produtividade e à redução de lesões ocupacionais entre trabalhadores mais velhos. Outro estudo, de 2020, identificou que a cannabis medicinal permitiu um melhor controle dos sintomas relacionados a lesões e doenças ocupacionais, reduzindo a necessidade de recorrer a programas de compensação trabalhista.
Os autores do novo estudo afirmam que os dados reforçam a importância de considerar a cannabis medicinal como uma opção terapêutica legítima dentro das políticas de saúde pública e ocupacional, especialmente para trabalhadores expostos a condições físicas desgastantes e que convivem diariamente com dor e limitações funcionais.
