Ciência e Pesquisa

Estudo clínico investiga uso de cannabis medicinal para aliviar efeitos da quimioterapia

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Thiago Alves

23 de abril de 2026

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Estudo clínico investiga uso de cannabis medicinal para aliviar efeitos da quimioterapia

Ensaio CANCAN busca avaliar se canabinoides podem reduzir sintomas como náuseas, dor e fadiga em pacientes com câncer avançado

Um novo ensaio clínico internacional está investigando o potencial da cannabis medicinal como aliada no tratamento oncológico. O estudo, chamado CANCAN, tem como objetivo avaliar se o uso controlado de canabinoides pode amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia e melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer.

A quimioterapia segue sendo uma das principais estratégias no combate a tumores, mas seus impactos no organismo vão além das células cancerígenas. Náuseas, vômitos, diarreia, dores e dificuldade para se alimentar são efeitos frequentes que comprometem o bem-estar, o sono e até a continuidade do tratamento. Nesse contexto, cresce o interesse científico por alternativas que reduzam esses danos e permitam uma experiência terapêutica menos agressiva.

O ensaio CANCAN propõe justamente essa abordagem. Os participantes recebem diariamente um comprimido sublingual de cannabis medicinal, de rápida dissolução, ao longo de três ciclos completos de quimioterapia. Durante o período, os pacientes relatam a intensidade dos sintomas por meio de questionários simples. Parte dos voluntários também fornece amostras biológicas, como sangue, saliva e fezes, para ampliar a análise dos efeitos do tratamento.

Podem participar pessoas com mais de 18 anos, de qualquer gênero, que estejam em tratamento ou prestes a iniciar quimioterapia para cânceres sólidos avançados. Entre os critérios, estão a capacidade de consentimento informado, disponibilidade para seguir os protocolos do estudo e o compromisso de não utilizar cannabis fora do ambiente controlado da pesquisa nem dirigir durante o período.

O recrutamento está em andamento em hospitais do sul da Austrália, incluindo o Royal Adelaide Hospital, o Queen Elizabeth Hospital e o Lyell McEwin Hospital, com previsão de encerramento em maio de 2028.

Embora não haja remuneração financeira, os participantes têm acesso gratuito ao medicamento experimental e aos exames relacionados ao estudo. A expectativa é que os resultados contribuam para ampliar o entendimento sobre o papel terapêutico da cannabis no cuidado oncológico, especialmente no manejo de sintomas que ainda desafiam a medicina convencional.

A iniciativa reforça uma tendência global de revisão das políticas e práticas médicas relacionadas à cannabis, impulsionada por evidências crescentes de seus potenciais benefícios em diversas condições clínicas.

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