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Cannabis Medicinal e Câncer: novo estudo aponta efeito antitumoral promissor

by Redação

Estudo científico publicado na revista Pharmaceuticals revela que canabinoides (como o CBD) reduzem tumores de mama e glioblastoma, além de potencializar a quimioterapia. Confira os dados.

Uma nova revisão científica publicada na renomada revista Pharmaceuticals concluiu que compostos derivados da cannabis apresentam “efeitos antitumorais consistentes e estatisticamente significativos” em diferentes tipos de câncer, especialmente em casos de glioblastoma e câncer de mama.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Semmelweis e da Universidade de Pécs, na Hungria, e analisou dados de ensaios pré-clínicos envolvendo terapias com canabinoides em múltiplos modelos de câncer.

Segundo os autores, a pesquisa representa a revisão sistemática mais abrangente já realizada sobre os efeitos antitumorais dos canabinoides em estudos experimentais.

A análise concluiu que compostos da cannabis demonstram forte potencial como terapia complementar em tratamentos oncológicos, principalmente por aumentarem a eficácia de medicamentos quimioterápicos em determinados contextos.

Os pesquisadores afirmam que os resultados mais consistentes foram observados em modelos de glioblastoma, um dos tipos mais agressivos de câncer cerebral, além de câncer de mama. Também foram identificadas evidências promissoras em câncer de pulmão e próstata.

“O glioblastoma surgiu como o tipo de tumor com a base de evidências mais reproduzível”, destacaram os autores do estudo sobre cannabis medicinal.

Entre os canabinoides avaliados, o canabidiol (CBD) foi apontado como o composto com perfil terapêutico mais promissor para o tratamento do câncer. Segundo o estudo, o CBD apresentou atividade antitumoral consistente em diferentes modelos e possui vantagem adicional por já contar com um histórico clínico de segurança bem documentado.

Em estudos envolvendo modelos animais de glioblastoma, os pesquisadores observaram uma redução média de 980 mm³ no volume tumoral entre os indivíduos tratados com canabinoides, em comparação ao grupo controle.

Já em modelos de câncer de mama, os compostos da cannabis foram associados a uma redução média de 402 mm³ no volume dos tumores.

Os resultados se tornaram ainda mais expressivos quando os canabinoides foram combinados ao medicamento quimioterápico doxorrubicina. Nesse cenário de tratamento combinado, a redução média do volume tumoral chegou a 1.295 mm³ em comparação ao uso isolado da quimioterapia.

Apesar dos resultados promissores, os autores alertam que nem todas as combinações de canabinoides produzem efeitos positivos. O estudo destaca que o THC apresentou respostas mais variáveis nos experimentos, reforçando a necessidade de testes rigorosos antes da aplicação clínica em larga escala.

Os pesquisadores também ressaltam que os achados ainda pertencem ao campo pré-clínico, ou seja, foram obtidos em modelos laboratoriais e animais. Por isso, defendem a realização de novos ensaios clínicos em humanos para validar a eficácia e segurança dessas abordagens baseadas em cannabis.

A revisão se soma a uma crescente quantidade de pesquisas médicas que investigam o potencial terapêutico da cannabis no tratamento do câncer.

Outras análises científicas recentes já haviam concluído que o CBD demonstra propriedades anticancerígenas em diferentes tipos de tumor, incluindo câncer de mama, pulmão, próstata, ovário e colorretal.

Pesquisadores também vêm estudando a capacidade dos canabinoides de reduzir inflamações, controlar sintomas associados ao câncer e minimizar efeitos colaterais provocados pela quimioterapia convencional.

Em 2025, um artigo publicado na revista Pharmacology & Therapeutics já havia apontado que a cannabis medicinal pode potencializar a eficácia de medicamentos quimioterápicos, além de contribuir diretamente para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Outra pesquisa divulgada no ano passado mostrou que pacientes oncológicos que utilizam cannabis relataram melhora significativa em sintomas relacionados ao tratamento, incluindo dor, náuseas, insônia, ansiedade e perda de apetite.

O avanço das evidências científicas ocorre em paralelo à mudança de postura institucional nos Estados Unidos em relação à cannabis medicinal. Recentemente, a indicada do presidente Donald Trump para comandar a política antidrogas da Casa Branca classificou a cannabis medicinal como uma opção “fantástica” para pacientes gravemente enfermos e afirmou não se opor à legalização da planta.

O crescimento das pesquisas reforça a consolidação da cannabis no debate científico internacional, ampliando o interesse da comunidade médica por terapias baseadas em canabinoides e fortalecendo o movimento de revisão das políticas proibicionistas que historicamente limitaram o avanço das pesquisas sobre a planta.

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