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Novo estudo derruba mito do “maconheiro preguiçoso” e aponta relação entre cannabis e prática de exercícios físicos

by Redação

Pesquisa identificou que usuários de cannabis não são menos ativos fisicamente do que não usuários e tendem a praticar atividades leves e moderadas com mais frequência

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Alabama em Birmingham, nos Estados Unidos, desafia um dos estigmas mais antigos associados ao consumo de cannabis: a ideia de que usuários da planta seriam naturalmente sedentários ou “preguiçosos”.

A pesquisa concluiu que pessoas que usam cannabis não são mais nem menos fisicamente ativas do que aquelas que não consomem a substância. No entanto, os dados mostram que usuários tendem a preferir exercícios leves e moderados, como caminhadas e esportes recreativos, em vez de atividades de alta intensidade.

O estudo foi realizado por estudantes da Faculdade de Medicina Heersink e analisou dados coletados por meio de questionários em uma pesquisa transversal. Segundo os autores, não houve relação consistente entre o uso de cannabis e aumento ou redução dos níveis gerais de atividade física.

Apesar disso, os pesquisadores identificaram variações individuais que podem estar relacionadas à interação da cannabis com o sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como humor, motivação e movimento corporal.

De acordo com os autores, essa influência pode afetar a experiência subjetiva durante a prática de exercícios, incluindo sensações de prazer, desconforto e bem-estar.

Os participantes que relataram uso não medicinal de cannabis demonstraram maior afinidade por atividades físicas de intensidade leve e moderada, enquanto exercícios mais intensos, como treinos aeróbicos pesados, apareceram com menor frequência entre esse grupo.

A pesquisa também observou grande diversidade nos padrões de consumo. Parte dos participantes fazia uso diário ou quase diário de cannabis.

Para os autores, os resultados reforçam a hipótese de que a cannabis pode alterar a percepção da atividade física, tornando exercícios mais agradáveis ou reduzindo desconfortos associados à prática esportiva, sem necessariamente melhorar o desempenho atlético.

Os pesquisadores defendem que estudos futuros utilizem ferramentas mais precisas, como rastreadores corporais e análises de longo prazo, para compreender melhor os impactos do consumo de cannabis sobre hábitos físicos e saúde.

Os resultados se somam a uma série de pesquisas recentes que vêm desconstruindo estereótipos historicamente ligados aos consumidores de cannabis.

Um estudo publicado em 2024 já havia apontado que adultos jovens e de meia-idade não se tornavam mais sedentários após o uso de cannabis. Pelo contrário, o consumo recente da planta foi associado a um leve aumento em atividades físicas leves.

Os autores daquela pesquisa afirmaram que o arquétipo do “maconheiro preguiçoso” ignora a diversidade dos usos contemporâneos da cannabis e não encontra respaldo nas evidências científicas atuais.

Outra pesquisa, publicada em 2023, associou o uso de cannabis ao aumento da sensação conhecida como “runner’s high”, estado de euforia e bem-estar frequentemente relatado por corredores após exercícios prolongados.

Segundo os pesquisadores, participantes que consumiram cannabis antes de correr relataram menos sensações negativas, mais prazer, tranquilidade e menor percepção de dor durante a atividade física.

Estudos anteriores também encontraram associação entre cannabis e hábitos mais saudáveis. Em 2021, pesquisadores observaram que consumidores frequentes da planta apresentavam maior probabilidade de praticar exercícios regularmente em comparação a não usuários.

Já uma pesquisa de 2019 concluiu que pessoas que utilizavam cannabis antes ou depois dos treinos relatavam melhora na recuperação física e maior motivação para manter a rotina de exercícios.

Além do debate sobre atividade física, novas evidências científicas também vêm questionando outro estigma histórico associado à cannabis: a relação automática entre uso da planta, compulsão alimentar e obesidade.

Pesquisas recentes financiadas pelo governo federal dos Estados Unidos identificaram que extratos integrais de cannabis podem estar associados à perda de peso e à redução do risco de diabetes.

Outro estudo publicado em 2024 apontou que usuários regulares de cannabis apresentavam menores índices de obesidade em comparação a não consumidores. Segundo os dados, pessoas que haviam usado cannabis no último mês tinham 31% menos chances de serem obesas.

Entre usuários diários, a redução observada foi de 32%.

Os pesquisadores também identificaram uma relação entre frequência de uso e índice de massa corporal (IMC): quanto maior o consumo de cannabis, menores tendiam a ser os índices de obesidade registrados na amostra analisada.

As descobertas reforçam o avanço das pesquisas sobre o sistema endocanabinoide e ampliam o debate sobre os impactos reais da cannabis na saúde, no comportamento e na qualidade de vida, afastando visões moralistas e estigmatizantes historicamente associadas à planta.

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