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Estudo aponta potencial do canabinoide CBG no tratamento da artrite reumatoide

by Redação

Pesquisa israelense identificou redução significativa de inflamações associadas à doença em testes pré-clínicos com o composto não psicoativo da cannabis

Um estudo conduzido por pesquisadores do Rambam Health Care Campus, em Israel, aponta que o canabigerol (CBG), um composto não psicoativo da cannabis ainda pouco conhecido do grande público, pode representar uma nova alternativa terapêutica para o tratamento da artrite reumatoide.

Os resultados pré-clínicos foram publicados na revista científica Pharmaceuticals e indicam que o CBG apresentou capacidade de reduzir processos inflamatórios ligados à doença, especialmente por meio da modulação de neutrófilos, células do sistema imunológico diretamente associadas à inflamação nas articulações.

Diferentemente dos tratamentos convencionais para artrite reumatoide, que geralmente atuam sobre proteínas inflamatórias chamadas citocinas, os pesquisadores buscaram agir diretamente sobre os neutrófilos, responsáveis por liberar substâncias inflamatórias que contribuem para a progressão da doença.

Segundo o estudo, o CBG conseguiu reduzir significativamente a produção de citocinas inflamatórias humanas. Os testes apontaram redução de até 98% nos níveis de IL-6 e diminuição de 60% em IL-1β, além da queda de outros marcadores inflamatórios associados à artrite reumatoide.

Os pesquisadores também observaram que o composto dificultou a migração de células inflamatórias para as articulações, um dos principais mecanismos relacionados ao agravamento da doença.

“Os resultados destacam o CBG como um candidato promissor para modular respostas imunológicas mediadas por neutrófilos e reduzir inflamações associadas à artrite reumatoide”, afirmaram os autores.

A pesquisa envolveu testes em células humanas isoladas do sangue e também experimentos em camundongos. Nos animais tratados com CBG, os cientistas identificaram melhora nos indicadores de artrite e menor perda de peso em comparação ao grupo não tratado.

Embora a doença ainda tenha se manifestado nos modelos analisados, os sintomas apareceram com menor intensidade.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que a artrite reumatoide é uma condição crônica e heterogênea, o que torna necessários estudos clínicos de longo prazo em humanos para confirmar a eficácia e a segurança do composto.

O estudo também chama atenção para o avanço das pesquisas envolvendo canabinoides não psicoativos além do CBD. O CBG vem sendo investigado por seu potencial anti-inflamatório, neuroprotetor e analgésico, ampliando o interesse científico sobre os diversos compostos presentes na planta da cannabis.

Nos últimos anos, pacientes com doenças reumáticas têm relatado melhora na qualidade de vida com o uso de cannabis medicinal. Uma pesquisa publicada em 2024 mostrou que mais de 60% dos pacientes com artrite e outras condições reumáticas substituíram medicamentos tradicionais, como opioides, anti-inflamatórios e relaxantes musculares, por tratamentos à base de cannabis.

Outro estudo anterior, publicado em 2018 na revista Frontiers, já havia apontado que o CBD também demonstrou potencial terapêutico no alívio de sintomas de osteoartrite em cães.

Parte do financiamento da pesquisa atual foi fornecida pela empresa Raphael Pharmaceutical Inc., responsável pelo fornecimento do CBG utilizado nos testes.

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