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UniSul amplia pesquisas com novos fitocanabinoides e mira TDAH, depressão e feridas crônicas

by Redação

Laboratório de Neurociência Comportamental vai investigar CBG e THCV a partir de 2026 e reforça protagonismo científico fora do eixo Rio-São Paulo

A Universidade do Sul de Santa Catarina, em Tubarão, vai ampliar a pesquisa com cannabis medicinal a partir do primeiro semestre de 2026. O Laboratório de Neurociência Comportamental passará a investigar fitocanabinoides menos explorados, como CBG e THCV, com foco no tratamento de TDAH, depressão e feridas crônicas em pacientes com diabetes.

Atualmente, o laboratório já desenvolve estudos com THC e CBD, especialmente em casos de depressão. A nova etapa marca uma expansão do escopo científico da instituição, acompanhando o amadurecimento das evidências sobre o potencial terapêutico da planta.

O LabNeC é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UniSul e integra uma estratégia de fortalecimento da formação acadêmica em regiões com menor concentração de centros de pesquisa. A proposta também dialoga com a necessidade de interiorização da ciência e de conexão entre universidade e demandas reais do Sistema Único de Saúde.

Segundo o coordenador do laboratório, Rafael Mariano de Bitencourt, durante anos a pesquisa e a prática clínica se concentraram quase exclusivamente no THC e no CBD. Ele avalia que esse movimento foi essencial para reduzir estigmas e abrir caminho regulatório, mas afirma que a comunidade científica começa a compreender melhor o papel de outros fitocanabinoides biologicamente ativos.

Moléculas como CBG, THCV e CBN têm apresentado resultados promissores em determinados quadros clínicos, sobretudo quando o uso isolado ou combinado de THC e CBD não é suficiente. Ainda assim, o professor ressalta que há escassez de estudos clínicos sistematizados envolvendo esses compostos, o que reforça a importância de pesquisas conduzidas em ambiente acadêmico.

Parte dos estudos terá impacto direto fora de Santa Catarina. Um dos pesquisadores vinculados ao laboratório é um enfermeiro da Paraíba que atua no cuidado de feridas crônicas. Uma etapa da pesquisa será realizada no território onde ele trabalha, ampliando o acesso a novas abordagens terapêuticas em uma população em situação de maior vulnerabilidade social.

Os ensaios serão realizados em parceria com a Santa Cannabis e a Cannabis Sem Fronteiras, responsáveis pelo fornecimento dos insumos utilizados nos testes. O modelo colaborativo entre universidade e associações de pacientes tem se consolidado como alternativa para viabilizar pesquisa científica no país.

De acordo com os pesquisadores, uma das diferenças do uso de fitocanabinoides em relação às terapias tradicionais está no perfil de segurança. Em geral, essas substâncias apresentam menos efeitos colaterais quando comparadas a antidepressivos, antipsicóticos, estimulantes ou analgésicos potentes, especialmente em tratamentos prolongados.

Os compostos também têm demonstrado potencial em condições crônicas e refratárias, nas quais os protocolos convencionais oferecem benefícios limitados. O uso terapêutico exige acompanhamento individualizado, com ajustes de dose e composição, reforçando uma abordagem centrada no paciente.

Apesar dos avanços, conduzir ensaios clínicos com cannabis medicinal no Brasil ainda envolve desafios regulatórios e éticos, como a adequação às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a aprovação por Comitês de Ética em Pesquisa, a rastreabilidade e padronização dos produtos, além do monitoramento contínuo de possíveis efeitos adversos.

A expectativa do grupo é que os resultados contribuam para o debate sobre políticas públicas e diretrizes clínicas relacionadas ao uso medicinal da cannabis no país, fortalecendo um campo que cresce apoiado em evidências científicas e no compromisso com a saúde pública.

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