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Estudantes goianos estreiam curta-metragem premiado sobre uso medicinal da cannabis

by Redação

Documentário acompanha a história de uma família em Goiás e amplia o debate sobre acesso à saúde em meio à discussão nacional sobre a regulamentação da planta

O curta-metragem documental Quanto Custa o Remédio do Meu Pai estreia nesta segunda-feira (26), às 20h, no YouTube, após uma trajetória de destaque em festivais no Brasil e no exterior. Produzido por estudantes do primeiro período do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), o filme acompanha a história da família Suzin e sua busca por tratamento com cannabis diante do diagnóstico de leucemia e Alzheimer.

Crédito da foto: Camilla Guimarães

A obra venceu o Festival Miracine 2025, o Festival Universitário do Audiovisual (FUÁ 2025) e o Festival Internacional de Cine Canábico do Rio de Janeiro (FICC 2025). Entre fevereiro e março, também integra a programação da sexta edição do FICC Buenos Aires, na Argentina. Em novembro do ano passado, foi exibida durante a ExpoCannabis Brasil, maior evento do setor na América Latina.

O documentário retrata o cotidiano de Filipe Suzin e Ivo Suzin, pai e filho que encontraram na cannabis uma alternativa terapêutica capaz de oferecer alívio, dignidade e qualidade de vida diante de doenças graves. A narrativa é conduzida pela perspectiva de Solange Suzin, mãe e esposa, cuja voz articula afeto, resistência e escolhas impostas pela urgência de cuidar.

Crédito da foto: Kadu Oliveira

A partir dessa vivência familiar, o filme expõe uma realidade enfrentada por milhares de brasileiros: a de que o acesso à cannabis medicinal segue condicionado ao poder econômico, à judicialização e a um sistema regulatório que trata pacientes como suspeitos. Em um país onde o cultivo da planta permanece criminalizado, mesmo quando há indicação médica, o direito à saúde acaba submetido a barreiras jurídicas e financeiras que aprofundam desigualdades.

Para o produtor Milson Santos, o projeto nasce como denúncia desse modelo excludente. “Hoje, para cultivar, uma família precisa gastar mais de cinco mil reais com advogado, se expor publicamente, reunir documentos por anos e ainda pode ter o pedido negado. Não existe justiça quando só quem tem dinheiro consegue tratar”, afirma.

Realizado integralmente em Goiás, fora do eixo Rio–São Paulo, o curta também reivindica espaço para produções periféricas no debate público sobre políticas de drogas e saúde. Os realizadores destacam o cinema como instrumento de informação, sensibilização e disputa de narrativas diante de décadas de proibicionismo que associaram a cannabis à criminalidade, ignorando seus usos terapêuticos e o sofrimento de pacientes.

Produzido como obra sem fins lucrativos no contexto de atividades interdisciplinares da UEG, Quanto Custa o Remédio do Meu Pai é uma realização da Santa Ganja e Cinema UEG, em parceria com a Associação Curando Ivo.

A estreia pública aconteceu gratuitamente na segunda-feira (26), às 20h, no canal Santa Ganja, no YouTube.

Ficha técnica
Direção e entrevista: Isabella Abreu
Produção, roteiro e montagem: Milson Santos
Direção de fotografia: Sol Santiago
Cinegrafista: Léury Garcia
Som: Natan Augusto
Still: Kadu Oliveira
Imagens de arquivo: Álvaro Dias e Filipe Suzin
Arte do pôster: Camilla Guimarães

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