A cannabis medicinal avança no SUS. Mas quem prepara médicos, farmacêuticos, enfermeiros e outros profissionais para lidar com esse tipo de tratamento?
A UFSC e o Dalla Instituto parecem ter uma resposta.
As duas instituições abriram uma capacitação gratuita em endocanabinologia voltada a profissionais do Sistema Único de Saúde de Santa Catarina. São 160 vagas, com formação entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 e certificação de 90 horas.
O foco está no sistema endocanabinoide, uma rede de receptores e moléculas do próprio organismo envolvida em processos como dor, sono, apetite, memória e resposta imunológica.
Apesar de sua importância, o tema ainda ocupa pouco espaço na formação tradicional de boa parte dos profissionais da saúde. É justamente essa lacuna que o programa pretende atacar.
Podem participar médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais vinculados ao SUS catarinense.
A iniciativa não surge por acaso.
Santa Catarina já possui uma política estadual para o fornecimento de produtos à base de cannabis. A legislação prevê, entre outras medidas, ações de informação e capacitação de gestores e profissionais da saúde.
Em 2025, o estado também regulamentou essa política por meio do Decreto nº 988. A Secretaria de Estado da Saúde mantém ainda um protocolo específico para o acesso ao canabidiol pela rede pública.
Na prática, Santa Catarina começa a enfrentar uma questão que tende a crescer junto com o acesso.
Não basta colocar cannabis no SUS. É preciso preparar quem vai prescrever, orientar e acompanhar o paciente.
As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 9 de outubro, conforme o edital divulgado pela UFSC.




