São Paulo já sabe quanto poderá pagar pelo canabidiol destinado à rede pública estadual. O valor equivale a R$ 151,80 por frasco de 30 mL, segundo o resultado de uma licitação que pode movimentar cerca de R$ 6,5 milhões.
O Pregão Eletrônico nº 90129/2026 no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) foi aberto pela Secretaria de Estado da Saúde para o registro de preços de canabidiol 200 mg/mL. A FarmaUSA venceu a disputa e teve o resultado homologado pelo governo paulista. A homologação foi publicada no Diário Oficial do Estado em 1º de setembro.
A operação acontece dentro de uma política iniciada em 2023, quando São Paulo aprovou a Lei nº 17.618, que instituiu o fornecimento gratuito de medicamentos à base de canabidiol na rede estadual. O acesso, porém, segue critérios definidos pelo Estado e não contempla automaticamente qualquer paciente que tenha uma prescrição.
Uma licitação de R$ 32 milhões que fechou em R$ 6,5 milhões
Os números atualizados no PNCP ajudam a dimensionar o negócio. O governo havia estimado a contratação em R$ 32.038.663,15. O valor total homologado ficou em R$ 6.547.481,24, cerca de 79,6% abaixo da estimativa inicial.
A diferença aparece também no preço do canabidiol. O valor unitário estimado era de R$ 0,1238 por mg. O resultado homologado equivale a aproximadamente R$ 0,0253 por mg.
Como um frasco de 30 mL na concentração de 200 mg/mL contém 6.000 mg de CBD, o preço final corresponde a aproximadamente R$ 151,80 por frasco.
O PNCP registra uma quantidade de 258.793.725 mg. Convertido apenas para dimensionar a operação, esse volume corresponde a pouco mais de 43 mil frascos de 30 mL.
A escala também foi confirmada em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, que informou o fornecimento de mais de 40 mil frascos de CBD 200 mg/mL para a rede pública paulista e apontou como público pacientes com epilepsias de difícil controle, incluindo as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut.
São Paulo não desembolsou R$ 6,5 milhões de uma vez
Há uma distinção importante. O processo é um registro de preços, portanto o valor homologado não significa que todo o montante já tenha sido gasto ou que mais de 43 mil frascos tenham sido comprados de uma só vez.
O registro estabelece as condições para que as aquisições sejam realizadas durante sua vigência, conforme a demanda da administração pública.
A FarmaUSA, inclusive, já aparece em contratações públicas federais para fornecimento de canabidiol 200 mg/mL. O Ministério da Saúde registra processos anteriores envolvendo a empresa e o produto Purodiol 6.000 mg, 200 mg/mL.
E quanto custa esse mesmo frasco em outra compra pública?
O valor paulista também chama atenção quando colocado diante do benchmark de R$ 240 por frasco observado em Campinas em 2026.
A diferença é de R$ 88,20 por unidade. O preço homologado pelo Estado fica aproximadamente 36,8% abaixo dessa referência.
A comparação não deve ser tomada isoladamente como medida de vantagem econômica. Volume, condições comerciais, logística e características de cada contratação podem interferir no preço. Ela ajuda, no entanto, a dimensionar o valor alcançado no pregão estadual.
Com a homologação, uma parte importante da história está resolvida. São Paulo tem fornecedor, preço e uma escala potencial de mais de 40 mil frascos.
Agora resta acompanhar o que acontece fora da planilha. Quanto desse canabidiol será efetivamente adquirido e quantos pacientes terão acesso ao tratamento pelo SUS?
Fontes
Portal Nacional de Contratações Públicas — Pregão Eletrônico nº 90129/2026 — PERP nº 129/2026, processo nº 024.00052874/2026-11 e identificação PNCP 46374500000194-1-004992/2026.
Assembleia Legislativa de São Paulo — Lei nº 17.618/2023 — política estadual de fornecimento gratuito de medicamentos formulados com derivados vegetais à base de canabidiol.
Ministério da Saúde — contratação envolvendo canabidiol 200 mg/mL e FarmaUSA — documentação oficial de contratação federal do produto.




