Celebrada em 21 de março, amanhã, data reforça a importância do uso de tratamentos terapêuticos que ajudem no desenvolvimento destes pacientes. Estudo realizado na Espanha mostra que o uso do medicamento à base da planta a longo prazo pode melhorar problemas de memória associados à SD
O Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, é um importante momento de conscientização sobre a qualidade de vida desta população. Oficializada pela Organização das Nações Unidas em 2012, a data faz referência à trissomia do cromossomo 21, alteração genética que define a condição.
A Síndrome de Down é a causa mais frequente de deficiência intelectual de origem genética, respondendo por cerca de um quarto dos casos de atraso cognitivo, característica presente em todos os indivíduos com a síndrome. No Brasil, estima-se que ocorra em aproximadamente um a cada 700 nascimentos, o que representa cerca de 270 mil pessoas. Em escala global, a incidência é de cerca de um caso a cada 1.000 nascidos vivos.
Nos últimos anos, a cannabis medicinal tem ganhado espaço como uma possibilidade terapêutica para estes pacientes. Além de melhorar a qualidade de vida no dia a dia agindo em sintomas como ansiedade, hiperatividade, distúrbios do sono ou até mesmo cognição, alguns estudos sugerem que o CBD (canabidiol) pode ter efeitos calmantes e neuroprotetores nestes pacientes.
Um dos mais recentes, conduzido pela Universitat Pompeu Fabra, na Espanha, aponta que o uso contínuo do tratamento farmacológico com a planta pode, ao longo da vida, melhorar significativamente a memória e a capacidade de aprendizado em pessoas com síndrome de Down, uma condição historicamente associada a desafios cognitivos e a um risco elevado de desenvolvimento precoce de quadros semelhantes ao Doença de Alzheimer.
A pesquisa, ainda em fase pré-clínica, identificou que a modulação do sistema endocanabinoide, responsável por funções como memória e equilíbrio neural, foi capaz de reduzir inflamações cerebrais e corrigir alterações em receptores ligados ao funcionamento cognitivo. Os resultados sugerem um caminho promissor: em vez de intervenções tardias, o cuidado contínuo com o cérebro pode ajudar a preservar funções cognitivas ao longo do envelhecimento.
“Quando falamos do uso de CBD e outros canabinoides orais em pessoas com Síndrome de Down precisamos equilibrar esperança com responsabilidade. Existem sinais de potencial benefício em alguns casos, mas a ciência ainda estuda o impacto para essa população. Por isso, o mais seguro é evitar soluções simplistas. Cada paciente deve ser avaliado de forma individual, com acompanhamento médico criterioso, para que qualquer decisão seja baseada em segurança, evidência e bom senso”, explica a médica Mariana Maciel, CEO e diretora médica da Thronus Medical.
Ele complementa: “Uma das dúvidas mais comuns ainda é a dosagem adequada de cannabis medicinal para pessoas com Síndrome de Down. É importante entender que a dosagem deve ser individualizada e acompanhada por um médico experiente no uso de cannabis medicinal. Iniciar com doses baixas e ajustar gradualmente é uma prática recomendada”, finaliza a médica.
