Governo dos EUA reclassifica cannabis medicinal e reconhece potencial terapêutico após décadas de restrições
23 de abril de 2026

Decisão histórica reduz barreiras científicas e fiscais, mas mantém proibição federal do uso recreativo
O governo do presidente Donald Trump deu um passo significativo na política de drogas ao reclassificar a cannabis medicinal nos Estados Unidos, retirando a substância da categoria mais restritiva da legislação federal.
A medida foi assinada pelo procurador-geral interino Todd Blanche e transfere a cannabis da Lista I para a Lista III da Controlled Substances Act, onde estão medicamentos com uso médico reconhecido e menor potencial de abuso.
Na prática, a decisão rompe com uma diretriz histórica que colocava a cannabis ao lado de substâncias como heroína e ecstasy, consideradas sem valor terapêutico. Agora, passa a dividir classificação com fármacos como cetamina e analgésicos com codeína.
A mudança não legaliza o uso recreativo em nível federal, mas representa um avanço estrutural ao reconhecer, ainda que parcialmente, o potencial medicinal da planta.
Entre os principais efeitos imediatos, está a ampliação das possibilidades de pesquisa científica. Por décadas, a classificação anterior dificultou estudos clínicos mais robustos, criando um cenário paradoxal em que o uso medicinal avançava em diversos estados, mas sem o respaldo científico proporcional no âmbito federal.
Além disso, a reclassificação permite que empresas licenciadas no setor medicinal tenham acesso a benefícios fiscais antes proibidos, especialmente relacionados ao código tributário federal que penalizava negócios ligados à cannabis.
A Drug Enforcement Administration também deve conduzir novas audiências administrativas para avaliar a reclassificação de forma mais ampla, indicando que o processo ainda está em evolução.
A implementação ocorrerá em fases. Inicialmente, produtos regulamentados por programas estaduais de cannabis medicinal passam automaticamente à nova classificação. Já uma revisão mais abrangente da política federal será analisada em audiências previstas para os próximos meses.
Apesar de ser considerada a mudança mais relevante na política federal sobre cannabis em mais de 50 anos, a decisão está longe de encerrar o debate. Especialistas e organizações apontam que a medida não resolve questões centrais, como a criminalização em nível federal, o encarceramento por crimes relacionados à planta e a desigualdade de acesso.
Ainda assim, o movimento reforça uma mudança gradual de paradigma. Um relatório do Departamento de Saúde dos EUA, elaborado durante o governo anterior, já havia concluído que a cannabis não atende aos critérios para permanecer na Lista I, indicando um descompasso entre a legislação e as evidências científicas acumuladas.
Com apoio majoritário da população, pesquisas recentes mostram que cerca de 60% dos americanos defendem a legalização do uso recreativo, a reclassificação sinaliza uma tentativa de alinhar a política pública com a realidade social e médica.
Mesmo com limitações, o avanço representa um enfraquecimento simbólico e prático do modelo proibicionista, ao admitir que a cannabis não pode mais ser tratada como uma substância sem valor terapêutico.
Precisa de orientação médica?
Encontre um especialista em cannabis medicinal perto de você.
Encontrar Médico EspecialistaEncontre seu Especialista
Profissionais especialistas em todo o Brasil
Consulta presencial e telemedicina
Aviso Legal
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui consulta médica. O uso de cannabis medicinal deve ser feito sob orientação de profissional habilitado, conforme regulamentação da Anvisa (RDC 327/2019). Não nos responsabilizamos pelo uso indevido das informações aqui contidas.



