Estudo indica que dose única de psilocibina reduz sintomas do TOC de forma rápida e segura
24 de julho de 2025

Pesquisa conduzida por universidades britânicas aponta efeito terapêutico de curta duração com potencial para novas abordagens clínicas
Um estudo clínico conduzido por pesquisadores da University of Hertfordshire e do Imperial College London trouxe novas evidências sobre o potencial terapêutico da psilocibina, substância psicodélica presente em cogumelos do gênero Psilocybe, no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A pesquisa, publicada na revista Comprehensive Psychiatry, revelou que uma única dose do composto foi capaz de promover alívio estatisticamente significativo dos sintomas em pacientes diagnosticados, sem eventos adversos graves.
O estudo envolveu 19 participantes com TOC. Cada um recebeu duas doses orais de psilocibina com quatro semanas de intervalo: uma dose inicial de 1 mg e uma segunda de 10 mg. Ambas mostraram efeitos positivos, mas a dose mais alta demonstrou ser particularmente eficaz e bem tolerada.
Psilocibina produziu uma melhora de início rápido, com efeito moderado a grande sobre os sintomas obsessivo-compulsivos, durando até uma semana após a administração, descrevem os autores.
Os efeitos terapêuticos começaram a diminuir após cerca de duas semanas, o que levou os pesquisadores a concluírem que a substância tem ação de curta duração, mas rápida e relevante do ponto de vista clínico, o que a torna uma candidata promissora para protocolos de uso controlado.
Outro dado importante do estudo é o elevado número de interessados em participar da pesquisa, evidência do crescente interesse da comunidade de pessoas com TOC por terapias psicodélicas.
Apesar dos resultados animadores, os cientistas ressaltam que o número reduzido de participantes é uma limitação, e destacam a necessidade de novos estudos com grupos maiores, uso de placebo e protocolos mais longos para análise de segurança e eficácia em longo prazo.
A ausência de efeitos adversos relevantes segue a tendência observada em outras pesquisas recentes. Uma revisão da Associação Médica Americana (AMA) apontou que o uso isolado de psilocibina não está associado a episódios de paranoia e que efeitos colaterais como dor de cabeça são geralmente toleráveis e autolimitados.
Nos últimos meses, outros estudos também reforçaram o potencial da substância em diferentes contextos da saúde mental. Uma pesquisa publicada pela própria AMA em dezembro de 2024 apontou segurança e eficácia no uso da psilocibina associada à psicoterapia para pacientes com transtorno bipolar tipo II, enquanto outra investigação revelou reduções clinicamente significativas em sintomas de depressão maior após uma única dose.
Os resultados ampliam o debate sobre a regulação dos psicodélicos em contextos clínicos, especialmente em países como o Brasil, onde o avanço das terapias com cannabis medicinal vem abrindo espaço para novas abordagens baseadas em evidências científicas.
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