Psicodélicos

EUA aceleram acesso a terapias psicodélicas e ampliam pesquisas para saúde mental

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Thiago Alves

24 de abril de 2026

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EUA aceleram acesso a terapias psicodélicas e ampliam pesquisas para saúde mental

Medidas do governo federal buscam destravar estudos clínicos e abrir caminho para uso terapêutico de substâncias como psilocibina e ibogaína

Autoridades de saúde dos Estados Unidos anunciaram uma série de medidas para acelerar o acesso a terapias psicodélicas voltadas ao tratamento de transtornos mentais graves. As iniciativas vêm na esteira de um decreto assinado pelo presidente Donald Trump, que orienta a ampliação e a agilização das pesquisas científicas com essas substâncias.

A Food and Drug Administration informou que adotará medidas regulatórias para facilitar o desenvolvimento de medicamentos à base de psicodélicos. Entre elas está a concessão de vouchers de prioridade nacional para empresas que investigam o uso da psilocibina no tratamento da depressão resistente e do transtorno depressivo maior, além do estudo do metilona para transtorno de estresse pós-traumático.

Segundo o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., o objetivo é enfrentar a crise de saúde mental com novas abordagens terapêuticas. Ele destacou que a agência dará prioridade a substâncias classificadas como “Breakthrough Therapy”, ou seja, aquelas que já demonstraram, em estudos preliminares, potencial superior aos tratamentos existentes.

Outro avanço importante é a autorização para um estudo clínico inicial com noribogaína, um derivado da ibogaína, substância psicodélica investigada no tratamento de dependência química e transtornos mentais. A pesquisa será conduzida após aprovação de um pedido de novo medicamento experimental, marcando a primeira vez que um derivado da ibogaína é testado clinicamente nos Estados Unidos.

O comissário da FDA, Marty Makary, afirmou que essas terapias podem representar uma resposta relevante para condições de difícil tratamento, como depressão resistente, alcoolismo e outros transtornos psiquiátricos. Ele ressaltou, no entanto, que o avanço precisa ser guiado por evidências científicas rigorosas.

As novas diretrizes também incluem a elaboração de recomendações para o desenho de estudos clínicos, coleta de dados e monitoramento de pacientes, buscando padronizar e qualificar as pesquisas com psicodélicos.

O decreto presidencial prevê ainda a remoção de barreiras burocráticas, maior integração de dados entre agências como o Departamento de Assuntos de Veteranos e a própria FDA, além da possibilidade de reclassificação mais rápida dessas substâncias caso comprovem eficácia em estudos avançados.

Entre os pontos mais relevantes está a liberação de US$ 50 milhões para financiar pesquisas estaduais com ibogaína e a abertura de caminho para o uso compassivo dessas terapias por meio da legislação conhecida como “Right to Try”, voltada a pacientes em condições graves.

A movimentação federal reflete uma mudança de paradigma na política de drogas e saúde mental nos Estados Unidos. Substâncias historicamente criminalizadas passam a ser reavaliadas sob a ótica científica, com foco em seu potencial terapêutico. Para especialistas e defensores da reforma, trata-se de um passo importante para superar décadas de estigma e ampliar o acesso a tratamentos inovadores, especialmente para populações como veteranos de guerra, que enfrentam altos índices de depressão e estresse pós-traumático.

Apesar do avanço, o uso clínico amplo dessas substâncias ainda depende da conclusão de estudos e de eventuais reclassificações regulatórias. Ainda assim, o novo posicionamento do governo sinaliza uma abertura inédita para integrar psicodélicos ao arsenal da medicina contemporânea.

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