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Cogumelos + cânhamo = caixão? Sim, e ele é cultivado em sete dias

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Redação

11 de setembro de 2026

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Cogumelos + cânhamo = caixão? Sim, e ele é cultivado em sete dias

Um pouco de fungo, fibras de cânhamo, um molde e sete dias. A receita parece improvável, mas o resultado é um caixão.

E não apenas um protótipo.

No início de setembro, uma australiana identificada apenas como Carolyn, na faixa dos 70 anos, tornou-se a primeira pessoa do país a ser enterrada em um Loop Living Cocoon, caixão biodegradável desenvolvido pela empresa holandesa Loop Biotech. O funeral aconteceu em New South Wales, na Austrália.

A história chama atenção pela combinação pouco convencional dos materiais: fungos e cânhamo.

Mas é de cogumelo ou de cânhamo?

Dos dois.

A estrutura é produzida com micélio, uma rede de filamentos que forma a parte vegetativa dos fungos, e fibras reaproveitadas de cânhamo. Em vez de cola convencional, o próprio micélio cresce entre as fibras e ajuda a uni-las, formando uma estrutura rígida. A fabricante descreve o produto como feito de espécies locais de fungos e fibras recicladas de cânhamo.

Por isso, chamar o produto apenas de “caixão de cogumelo”, como fizeram algumas manchetes internacionais, conta só metade da história.

O cânhamo também está literalmente dentro do caixão.

E há outra curiosidade, ele não é simplesmente montado. É cultivado.

O material é colocado em um molde mantido em ambiente com condições controladas. O micélio cresce pela estrutura e, em aproximadamente sete dias, o caixão está formado.

Sete dias para nascer, 45 para desaparecer

O contraste é justamente uma das apostas da empresa.

O Living Cocoon leva cerca de uma semana para ser cultivado e pesa aproximadamente 30 quilos. De acordo com as especificações da Loop Biotech, suporta até 200 quilos e pode ser usado tanto em enterros convencionais e naturais quanto em cremações.

Depois de enterrado, a história se inverte.

Segundo a fabricante, em condições ideais, o material pode se biodegradar em aproximadamente 45 dias. A empresa afirma ainda que não utiliza cola, plástico ou produtos químicos na estrutura do caixão.

As alegações de que o processo melhora a biodiversidade e “enriquece” o solo também são feitas pela própria Loop Biotech e, portanto, precisam ser entendidas como informações fornecidas pelo fabricante, ainda que o princípio de decomposição do micélio esteja ligado ao papel natural dos fungos na reciclagem de matéria orgânica.

E tem até uma cama de musgo

Se a combinação de fungos e cânhamo já parecia curiosa, há mais.

O modelo básico tem o interior revestido com musgo, incluindo uma espécie de cama e travesseiro. Há versões com lã, algodão orgânico e até revestimento adicional de cânhamo.

A ideia surgiu na Holanda a partir do trabalho de Bob Hendrikx, fundador da Loop Biotech e ex-aluno da Universidade de Tecnologia de Delft. O projeto começou como uma pesquisa acadêmica e posteriormente ganhou escala comercial.

Segundo Hendrikx, milhares desses caixões já foram utilizados na Europa e nos Estados Unidos. O enterro de Carolyn, realizado em setembro de 2026, marcou a primeira utilização registrada do modelo na Austrália.

A escolha não foi aleatória. Donald, marido de Carolyn, contou que a alternativa combinava com a relação da mulher com a natureza e com sua preocupação em deixar algo positivo mesmo depois da morte.

O que o cânhamo tem a ver com tudo isso?

Muito mais do que parece.

O cânhamo é uma variedade de Cannabis sativa utilizada principalmente por suas fibras, sementes e outras matérias-primas industriais. Aqui, portanto, não há qualquer relação com efeito psicoativo ou uso medicinal da cannabis.

É justamente essa versatilidade que faz o cânhamo aparecer em produtos tão diferentes como tecidos, cordas, papel, materiais de construção, biocompósitos — e agora até caixões.

Fontes

Loop Biotech — Loop Living Cocoon

The Guardian — Woman laid to rest in coffin made from mushrooms in Australian first

The Independent — Sydney woman becomes first in Australia to be buried in mushroom coffin


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