Levantamento em Minnesota mostra queda histórica no consumo de cannabis entre estudantes, mesmo após regulação para adultos
Apesar de anos de discursos alarmistas que associavam a legalização ao aumento do consumo entre adolescentes, novos dados oficiais do estado de Minnesota apontam na direção oposta. O uso de cannabis entre estudantes do ensino fundamental e médio atingiu o menor nível da última década.
Segundo o Departamento de Saúde estadual, 96% dos alunos afirmaram não ter consumido cannabis no último mês. O resultado faz parte da mais recente edição da Minnesota Student Survey, pesquisa realizada a cada três anos com estudantes do 5º, 8º, 9º e 11º anos.
A divulgação ocorre após a sanção da lei que legalizou o uso adulto da substância em 2023 pelo governador Tim Walz, tornando este o primeiro levantamento desde o fim da proibição para maiores de 21 anos.
Os dados mostram uma queda de 57,7% no uso anual de cannabis entre estudantes do 8º, 9º e 11º anos entre 2013 e 2025. A tendência de redução também aparece no consumo mensal, reforçando um padrão consistente ao longo dos anos.
Para além da diminuição do uso, a percepção de risco entre os jovens também aumentou. Mais estudantes passaram a considerar o consumo frequente como algo prejudicial, revertendo uma tendência observada na década anterior.
Um dado curioso revela como a percepção social pode ser distorcida: embora 92% dos estudantes afirmem nunca ter usado cannabis, eles estimam que mais da metade dos colegas consomem a substância regularmente.
O resultado reforça evidências já observadas em outros contextos. Estudos realizados no Canadá e em países europeus, como a Alemanha, também indicam que a regulamentação não leva ao aumento do consumo entre jovens. Pelo contrário, a criação de mercados legais tende a reduzir o acesso de menores, ao impor controle de idade, fiscalização e qualidade dos produtos.
Nos Estados Unidos, levantamentos federais apontam que o aumento recente no consumo de cannabis está concentrado entre adultos com mais de 26 anos, enquanto as taxas entre adolescentes permanecem estáveis ou em queda.
O cenário enfraquece um dos principais pilares do proibicionismo: a ideia de que a regulação ampliaria o acesso irrestrito. Na prática, especialistas argumentam que o mercado ilegal, desprovido de controle, é muito mais permissivo com menores do que sistemas regulados.
Ainda que autoridades ressaltem a importância de políticas de prevenção e educação, especialmente diante dos riscos do uso precoce, os dados indicam que o debate público precisa se basear em evidências, e não em suposições.
A experiência de Minnesota se soma a um conjunto crescente de estudos que reposicionam a discussão global sobre drogas, sugerindo que modelos regulatórios podem ser mais eficazes do que a proibição tanto na proteção da saúde pública quanto na redução de danos sociais.
