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Estudos apontam que psilocibina pode ajudar na recuperação de lesões cerebrais traumáticas

by Redação

Revisão científica sugere que o uso terapêutico do composto presente nos “cogumelos mágicos” pode reduzir inflamações, estimular a regeneração neuronal e aliviar sintomas de depressão em pacientes com TCE

A psilocibina, principal substância psicoativa dos chamados “cogumelos mágicos”, pode desempenhar um papel importante no tratamento de pessoas que sofrem com traumatismo cranioencefálico (TCE). É o que aponta uma revisão publicada na revista Brain Science, realizada por pesquisadores da Hackensack Meridian School of Medicine e do JFK Johnson Rehabilitation Institute, nos Estados Unidos.

O estudo analisou 29 pesquisas já publicadas e concluiu que a psilocibina “pode trazer benefícios ao reduzir inflamação, promover neuroplasticidade e regeneração neuronal, além de aliviar transtornos de humor associados”. Os autores ressaltam que esses achados, somados aos resultados positivos em áreas como depressão e dependência química, reforçam a necessidade de ensaios clínicos mais robustos.

A revisão destaca ainda que a substância parece ter propriedades anti-inflamatórias, estimula a formação de novos neurônios e conexões cerebrais e pode atuar como antidepressivo — algo relevante diante das altas taxas de depressão em pacientes com TCE.

Obstáculos e limitações

Apesar do potencial, os pesquisadores alertam para a importância de protocolos clínicos bem controlados, capazes de reduzir riscos de “más viagens” e outros efeitos adversos. Também destacam que não há indícios de que psicodélicos aumentem o risco de convulsões, fator relevante em pacientes com TCE, que já apresentam incidência elevada desse problema.

Um dos principais entraves segue sendo a proibição em nível federal. Por ser classificada como substância da Lista I nos EUA — a mesma categoria da maconha —, a psilocibina enfrenta fortes barreiras para a realização de pesquisas clínicas em larga escala.

Pressão social e política

O tema ganhou força com a pressão de veteranos militares, grupo altamente afetado por TCE e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). O próprio comissário da FDA (Food and Drug Administration) afirmou que estudar o potencial terapêutico de psicodélicos como psilocibina e ibogaína é “prioridade máxima” da gestão Trump, especialmente no apoio a veteranos que retornam de guerras.

Além disso, parlamentares de diferentes partidos apresentaram projetos para financiar centros de excelência em terapias psicodélicas nos serviços de saúde para veteranos, com recursos para pesquisas sobre psilocibina, MDMA e ibogaína.

Enquanto isso, cresce a pressão social para que o governo reduza a burocracia e permita o acesso a terapias que já mostram resultados significativos em depressão resistente, dependência e recuperação de traumas físicos e emocionais.

“Não estamos ouvindo os pacientes nem os médicos que relatam os avanços do uso terapêutico dessas substâncias”, afirmou o comissário da FDA. “Muitos dizem que a psilocibina foi decisiva para superar transtornos graves de humor. O que tivemos até agora para tratar TCE e TEPT que trouxesse resultados reais?”

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