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Psicodélicos melhoram a meditação? Novo estudo aponta benefícios

by Redação

Uma nova pesquisa revelou que substâncias psicodélicas podem ter um impacto positivo na prática da meditação. O estudo, publicado recentemente na revista PLoS ONE, entrevistou 863 adultos que praticam meditação pelo menos três vezes por semana e descobriu que 73,5% deles relataram benefícios ao combinar a prática com o uso de psicodélicos.

Os pesquisadores identificaram que os efeitos positivos eram mais prováveis entre aqueles que utilizavam essas substâncias com maior frequência, estabeleciam intenções claras antes do consumo e possuíam traços de personalidade mais sociáveis. Além disso, a exposição à DMT (dimetiltriptamina) foi apontada como um fator relevante para experiências meditativas enriquecedoras.

Os autores do estudo destacam que tanto a meditação quanto os psicodélicos têm ganhado cada vez mais atenção da ciência devido ao seu potencial terapêutico. Pesquisas anteriores já indicaram que a interação entre essas duas práticas pode gerar sinergias significativas.

Um experimento citado no estudo envolveu 39 meditadores que receberam psilocibina ou placebo durante um retiro de cinco dias focado em mindfulness. Aqueles que tomaram psilocibina relataram maior dissolução do ego e mudanças positivas no funcionamento psicossocial após a experiência.

Outro estudo qualitativo analisou relatos escritos de pessoas que combinaram meditação com psicodélicos. A maioria dos participantes descreveu que o uso simultâneo aprimorou tanto a prática meditativa quanto a experiência psicodélica.

Na nova pesquisa, os participantes, com idades entre 18 e 81 anos (sendo 79,4% homens), responderam à seguinte pergunta: “De modo geral, você acredita que sua experiência com psicodélicos influenciou a qualidade da sua prática meditativa regular?” As respostas variavam de 1 (influência muito negativa) a 7 (influência muito positiva), e a média obtida foi de 5,49.

A análise de dados apontou que o fator mais associado à percepção positiva foi a frequência do uso de psicodélicos. Definir intenções antes do consumo também se mostrou um elemento importante. Outros fatores, como personalidade mais aberta, exposição ao uso de cannabis e participação em retiros, também tiveram associação estatisticamente significativa com os benefícios percebidos.

Curiosamente, o estudo não investigou se os participantes usavam psicodélicos durante a própria meditação.

Os pesquisadores sugerem que aqueles que mais percebem benefícios no uso de psicodélicos para a meditação são aqueles que os encaram como parte de uma prática estruturada e intencional, além de terem um perfil mais sociável e contato com substâncias como a DMT.

O estudo foi conduzido por pesquisadores de instituições como a Universidade de Wisconsin, University College London, Karolinska Institutet (Suécia), Harvard Medical School, Universidade da Califórnia em San Francisco e o Institut für Psychotherapie Potsdam (Alemanha).

Outras pesquisas também apontam para a influência do “set e setting” (estado mental e ambiente) nas experiências psicodélicas. Um estudo de 2023 revelou que praticantes de ioga que usaram cannabis antes da prática relataram maior mindfulness e sensação de espiritualidade. Outra pesquisa mostrou que consumidores de diferentes formas de psilocibina preferem cogumelos inteiros a extratos ou versões sintéticas, pois os consideram “mais vivos e vibrantes”.

O uso de psicodélicos também vem sendo estudado sob a perspectiva evolutiva. Uma teoria sugere que os cogumelos psicodélicos podem ter influenciado o desenvolvimento da consciência humana ao longo da história.

Enquanto isso, um estudo recente da Universidade Johns Hopkins indicou que uma única experiência com psilocibina não é suficiente para transformar um ateu em um crente ou alterar a percepção sobre livre arbítrio. No entanto, pode levar à crença de que animais, plantas e até mesmo objetos inanimados possuem algum tipo de consciência.

Com o crescente interesse científico e popular sobre o potencial terapêutico dos psicodélicos, a tendência é que novos estudos continuem a explorar essa relação entre substâncias enteógenas e estados meditativos. Em um contexto de revisão global das políticas de drogas, pesquisas como essa reforçam a importância de um debate informado e baseado em evidências sobre o uso de psicodélicos na sociedade.

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