Ortodontista relata melhora de ansiedade e sintomas da menopausa com uso de cannabis medicinal
05 de março de 2026

Avanço regulatório e novos estudos ampliam debate sobre saúde feminina e terapias canabinoides no Brasil
Quando a ansiedade começou a limitar os encontros sociais e o cansaço virou rotina, a ortodontista Isabela Maria Tannus percebeu que não se tratava apenas de estresse passageiro. Aos 60 anos, a moradora de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, enfrentava a sobreposição de dois fatores delicados: o impacto emocional do pós-pandemia e os sintomas da menopausa. Prostração intensa, ansiedade e um apertamento dental persistente, que resultava em fortes dores mandibulares, passaram a interferir diretamente em sua qualidade de vida e no exercício da profissão.
A busca por uma alternativa veio após frustração com abordagens tradicionais. Há cerca de dois anos, Isabela iniciou o uso de medicamentos à base de cannabis com acompanhamento médico. Começou utilizando gomas em momentos de crise e, atualmente, adotou principalmente o spray nasal como parte da rotina terapêutica.
Segundo ela, a melhora foi progressiva. A ansiedade reduziu, o sono se tornou mais regular e as dores associadas ao apertamento dental passaram a ser mais controláveis.
A virada no tratamento
Diante da limitação dos tratamentos convencionais, Isabela também passou a utilizar, com acompanhamento médico, um nanofármaco à base de cannabis importado de acordo com as normas da RDC 660/2022, resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil.
Trata-se de uma tintura farmacológica desenvolvida pela biofarmacêutica canadense Thronus Medical, com tecnologia que reduz as moléculas da cannabis a nanopartículas e as encapsula em moléculas de água.
O princípio parte de um desafio conhecido: água e óleo não se misturam, e os canabinoides são lipossolúveis, o que dificulta sua absorção pelo organismo. A partir dessa limitação, a médica brasileira Mariana Maciel, CEO e diretora médica da empresa responsável pela formulação, desenvolveu uma solução capaz de tornar essas moléculas dispersáveis em meio aquoso, aumentando significativamente a biodisponibilidade.
Na prática, isso significa que o organismo consegue absorver melhor as propriedades farmacológicas da medicação, potencializando seus efeitos terapêuticos e proporcionando maior estabilidade na resposta clínica.
A história de Isabela dialoga com evidências científicas recentes. Um levantamento publicado na base da PubMed indica que 78% das mulheres que utilizaram cannabis para sintomas relacionados à menopausa relataram melhora, principalmente em quadros de ansiedade e insônia. Outro relatório do Centre of Excellence for Women’s Health aponta que mulheres em peri e pós-menopausa buscam a terapia sobretudo para controle de dor, alterações de humor e distúrbios do sono.
Para Dra. Mariana Maciel, especialista em medicina canábica e à frente da Thronus Medical, o uso de medicamentos à base da planta pode representar um avanço no cuidado à saúde feminina. “A medicina canábica pode melhorar a qualidade de vida na menopausa ao atuar em sintomas como ansiedade, alterações do sono e dores que nem sempre respondem bem aos tratamentos convencionais. O acompanhamento médico individualizado é primordial para garantir segurança e eficácia”, afirma.
Mesmo com o crescimento do acesso e da ampliação do debate público, o preconceito ainda é citado por pacientes como obstáculos. Isabela afirma que costuma responder com informação. “Sempre falo para procurarem orientação médica e conhecerem melhor. Para mim, fez diferença.”
Para a médica, a experiência reforça a necessidade de ampliar o olhar para a transição menopausal, fase que pode impactar de forma significativa o bem-estar físico e emocional. “Com acompanhamento adequado e base científica, a cannabis medicinal passa a integrar o conjunto de alternativas terapêuticas consideradas por mulheres que buscam mais qualidade de vida”, finaliza.
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Este conteúdo é meramente informativo e não substitui consulta médica. O uso de cannabis medicinal deve ser feito sob orientação de profissional habilitado, conforme regulamentação da Anvisa (RDC 327/2019). Não nos responsabilizamos pelo uso indevido das informações aqui contidas.



