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Mesmo com lentidão no Congresso americano, lobby sobre cannabis avança nos bastidores em 2025

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Thiago Alves

05 de agosto de 2025

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Mesmo com lentidão no Congresso americano, lobby sobre cannabis avança nos bastidores em 2025

Associações, indústrias, universidades e até farmacêuticas investem para influenciar legislação sobre cannabis e psicodélicos nos EUA, com foco em reforma bancária, reclassificação e o Farm Bill

Apesar da paralisia no Congresso norte-americano em relação a reformas significativas sobre a cannabis neste ano, os bastidores em Washington seguem movimentados. Segundo as últimas declarações de lobby do segundo trimestre de 2025 (abril a junho), uma ampla gama de atores está investindo para moldar a política federal sobre maconha e psicodélicos.

Organizações de advocacia, empresas do setor, indústrias do álcool, distribuidores de cerveja, gigantes farmacêuticas, instituições financeiras e universidades figuram entre os que destinam recursos ao lobby federal. As pautas variam desde reformas bancárias e mudanças na classificação da cannabis até a inclusão de temas no Farm Bill e nos pacotes de apropriação orçamentária obrigatória, considerados hoje as principais vias viáveis para avanços legislativos, dado o controle republicano do Congresso.

Entre os pontos de destaque, a reforma bancária para o setor canábico (SAFE/SAFER Banking Act) e a reclassificação da planta na lista de substâncias controladas concentram os principais esforços de lobby, enquanto temas como justiça retroativa, descriminalização, proteção a veteranos e regulamentação de derivados do cânhamo também apareceram nas pautas.

A lista de entidades que se posicionaram a favor de reformas é extensa e inclui desde grandes operadoras de cannabis medicinal e recreativa, como Trulieve, Cresco Labs, Curaleaf e Verano, até grupos ativistas como Drug Policy Alliance (DPA), NORML, Students for Sensible Drug Policy (SSDP) e American Civil Liberties Union (ACLU).

Em oposição à maré reformista, o grupo Smart Approaches to Marijuana (SAM) se manteve ativo, fazendo lobby contra o SAFE Banking Act e apontando riscos à saúde mental e segurança infantil associados à legalização.

O setor do álcool também se mostra atento. A Anheuser-Busch destacou preocupações com a diferenciação tributária e regulatória entre bebidas e produtos canábicos, enquanto a Wine and Spirits Wholesalers of America e a National Beer Wholesalers Association abordaram a regulamentação do cânhamo intoxicante e as reformas bancárias para o setor.

Já a indústria farmacêutica, liderada por empresas como Jazz Pharmaceuticals e Otsuka, direcionou esforços para moldar a atuação da FDA na regulamentação do CBD e no avanço de pesquisas com psicodélicos para saúde mental.

Entre as universidades, a University of Mississippi — uma das poucas autorizadas a cultivar cannabis para pesquisa federal — relatou atividades relacionadas à regulação da pesquisa com a planta. NYU Langone e Johns Hopkins University também atuaram em favor da pesquisa com psicodélicos.

Um ponto notável é a movimentação de empresas não diretamente ligadas ao setor canábico. A Mondelez Global, dona de marcas como Oreo e Sour Patch Kids, sinalizou interesse em questões regulatórias sobre edibles, indicando atenção crescente de grandes corporações ao mercado canábico.

Do lado financeiro, nomes como PayPal, Credit Union National Association e National Association of State Treasurers reforçaram a pressão por um ambiente bancário seguro e legalizado para negócios com cannabis. Diversas instituições se declararam neutras quanto à legalização, mas defenderam a urgência de proteger bancos e cooperativas de crédito que atuam com empresas canábicas em estados onde a planta é legal.

Embora os recursos investidos em lobby não garantam mudanças legislativas, os números e as alianças em torno da cannabis e dos psicodélicos apontam para um cenário político cada vez mais diverso e interessado. Com a aproximação do debate final sobre o Farm Bill e a pressão por mudanças na classificação federal da cannabis (de Schedule I para Schedule III), cresce a expectativa para que essas movimentações deixem os bastidores e cheguem, enfim, ao plenário.

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