Aryna Sabalenka se preparava para sacar — o movimento que inicia a disputa de um ponto no tênis — quando um cheiro roubou sua atenção.
Na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, a líder do ranking mundial feminino interrompeu brevemente a partida contra Kamilla Rakhimova, representante do Uzbequistão, para reclamar com a arbitragem do forte odor de maconha. A cena aconteceu no estádio Louis Armstrong, uma das arenas do US Open, em Nova York. Sabalenka venceu por dois sets a zero, com parciais de 6/3 e 6/4, avançando às oitavas de final.
A bielorrussa é uma das principais estrelas do esporte. Chegou à competição com quatro títulos de Grand Slam em simples, modalidade disputada individualmente: Australian Open de 2023 e 2024 e US Open de 2024 e 2025. Naquela edição, buscava o terceiro troféu consecutivo em Nova York.
Por que o US Open importa tanto?
O US Open, ou Aberto dos Estados Unidos, é um dos quatro torneios de Grand Slam, os mais prestigiados do tênis, ao lado do Australian Open, de Roland Garros e de Wimbledon. Disputado anualmente em Nova York, em quadras de piso duro, reúne a elite mundial em provas individuais e de duplas. Para os atletas, uma boa campanha significa pontos no ranking, premiação e projeção internacional. Conquistar o título pode ser o maior feito de uma carreira.
Foi nesse palco que a reclamação de Sabalenka reacendeu uma pergunta. Afinal, liberaram a maconha na arquibancada?
Não. O complexo do US Open proíbe fumar e usar cigarros eletrônicos. A legislação estadual de Nova York permite o uso adulto de cannabis a partir dos 21 anos, respeitadas as restrições de quantidade e local. Isso não autoriza o consumo em qualquer espaço: nos parques da cidade, fumar ou vaporizar também é proibido.
Uma história anterior à legalização
Não é possível determinar quando o cheiro apareceu pela primeira vez no campeonato. Há, porém, registros de repercussão desde 2014. Naquela edição, a suíça Martina Hingis, ex-número 1 do tênis feminino, comentou sobre um odor associado à maconha durante uma partida de duplas com a italiana Flavia Pennetta.
A legalização estadual viria somente em 31 de março de 2021. Portanto, atribuir o início desses episódios à mudança na lei ignora um antecedente de sete anos.
Em 2022, o tenista australiano Nick Kyrgios levou a reclamação à arbitragem durante o confronto com o francês Benjamin Bonzi. Explicou que tinha asma e estava preocupado com a respiração durante o esforço físico. Houve um aviso ao público para não fumar.
A quadra que virou personagem
No ano seguinte, o assunto ganhou uma localização recorrente, a quadra 17, próxima ao parque que cerca o complexo. A grega Maria Sakkari percebeu o cheiro durante sua estreia contra Rebeka Masarova e sugeriu que viesse de fora. Embora tenha perdido, afirmou depois que o odor não havia afetado seu jogo.
O alemão Alexander Zverev ampliou a repercussão ao comparar o ambiente à sala do rapper americano Snoop Dogg. A Associação de Tênis dos Estados Unidos, conhecida pela sigla USTA e responsável pelo campeonato, revisou imagens e consultou funcionários. Não encontrou evidências de pessoas fumando nas arquibancadas durante a partida de Sakkari. A hipótese apresentada era de que o cheiro chegasse do entorno de Flushing Meadows–Corona Park.
Até chegar a Sabalenka
As manifestações continuaram. Em 2025, o norueguês Casper Ruud e o sérvio Novak Djokovic, ambos tenistas do circuito masculino, falaram sobre o odor no complexo. Em 2026, a britânica Katie Boulter também relatou incômodo.
Sabalenka acrescentou um novo capítulo a essa sequência. Depois da partida, disse não saber se o cheiro vinha do público ou se o vento o havia levado de fora para dentro do estádio. Pediu que as pessoas evitassem fumar perto das quadras, onde os atletas precisam se concentrar para competir. Segundo a Associated Press, nenhum torcedor foi flagrado fumando e expulso naquele episódio. A origem exata do odor permaneceu indeterminada.
O que atravessou a quadra foi um cheiro; a permissão para fumar não veio junto.
Imagem: Reprodução Instagram*




