Por dois dias, a cannabis sai dos consultórios, dos debates regulatórios e das feiras de negócios para dividir espaço com rap, dancehall, arte psicodélica, moda e empreendedorismo. O Festival Híbrido chega à quarta edição neste sábado (26) e domingo (27), no Komplexo Tempo, no Parque da Mooca, em São Paulo.
Realizado desde 2022, o evento se apresenta como um encontro dedicado às culturas canábica e psicodélica, mas a programação deste ano tenta ampliar essa conversa. Há espaço para música, arte, oficinas, negócios, políticas de drogas e também cannabis medicinal. A programação completa pode ser consultada no site oficial do Festival Híbrido.
No palco principal, um dos destaques do sábado é o Fuego Dancehall, coletivo que mistura reggaeton, dancehall, ritmos caribenhos e funk brasileiro. No domingo, a programação ganha forte presença feminina com DJ $ophia, das 15h às 17h, e Afreekassia, das 17h às 18h. A rapper transita pelo hip-hop, drill e sonoridades da diáspora africana, enquanto Sophia é também fundadora e curadora do Baile da DJ $ophia, projeto ligado à cena do rap paulistano.

A presença das mulheres não fica restrita aos palcos. A organização preparou o Mulheres no Hemp, área voltada a empreendimentos canábicos liderados por mulheres, além de espaço infantil pensado também para mães empreendedoras e visitantes.
Cannabis medicinal também entra na programação
Para quem chega ao evento interessado no uso terapêutico da planta, haverá uma área de atendimento gratuito com informações gerais sobre tratamentos e caminhos de acesso à cannabis medicinal. A ação terá participação da Sequoia, associação que atua no acesso a terapias à base da planta.
O próprio site do Híbrido inclui a cannabis medicinal entre as áreas da edição e informa que estarão presentes empresas, associações de pacientes e outros representantes do setor. O festival também terá oficinas sobre cultivo, autonomia canábica, comunicação e redução de danos.
Da regulação brasileira à experiência da Jamaica
Outro eixo importante será o Híbrido Talks, que coloca lado a lado experiências de Brasil, Jamaica, México e Colômbia.
No sábado, o painel brasileiro discute “Oportunidades, impasses e soberania na regulação da maconha”. Em seguida, representantes da Jamaica abordam história, reparação e indústria da cannabis. No domingo, entram em pauta a experiência mexicana e as relações entre descriminalização, economia e redução de conflitos na Colômbia.
Entre os convidados internacionais estão a advogada jamaicana Annette J. Henry, presidente do Grupo de Trabalho sobre Cannabis de Comércio Justo do Caribe; Zara Snapp, diretora do Instituto RIA, do México; e David Restrepo, pesquisador do Centro de Estudos de Segurança e Drogas da Universidad de los Andes, na Colômbia.
A arte completa a mistura. O 2º Salão de Arte Híbrida deve reunir cerca de 100 obras de mais de 30 artistas brasileiros e latino-americanos, passando por pintura, fotografia, escultura, arte digital, videoarte, performances e instalações. Também estão previstas projeções mapeadas, live painting e apresentações musicais.
A proposta ajuda a explicar o nome do evento. Em vez de tratar a cannabis apenas como produto ou medicamento, o Híbrido coloca no mesmo espaço algumas das diferentes dimensões que hoje cercam a planta — da saúde ao mercado, passando por cultura, comportamento, legislação e arte.
Serviço
4º Festival Híbrido
Quando: 26 e 27 de setembro de 2026
Onde: Komplexo Tempo — Av. Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo
Ingressos: disponíveis pela plataforma Fever
Site: Festival Híbrido
Instagram: @festivalhibridosp




