FDA emite alerta a empresa da Califórnia por comercializar injeção de CBD
17 de março de 2025

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, enviou uma carta de advertência à empresa californiana Pico IV Inc. por comercializar um produto injetável de CBD e divulgar alegações não autorizadas sobre seus supostos benefícios para a saúde. A agência destacou que o produto representa riscos significativos à saúde pública e pode levar a complicações graves.
O órgão deu um prazo de 15 dias úteis para que a empresa corrija as irregularidades e informe as medidas tomadas para se adequar à legislação.
Segundo a FDA, a comercialização de produtos injetáveis contendo CBD levanta preocupações porque a administração intravenosa pode expor os usuários a toxinas e microrganismos que o corpo normalmente filtraria. Além disso, a agência apontou que a Pico IV Inc. promoveu o produto como tratamento eficaz para dor crônica, distúrbios do sono e ansiedade sem aprovação oficial.
“Seu produto ‘Pico IV’ é especialmente preocupante do ponto de vista da saúde pública, pois medicamentos injetáveis podem representar riscos graves aos usuários”, alertou a FDA na notificação.
A FDA ressaltou que a advertência não se limita apenas ao produto da Pico IV Inc., mas reflete uma fiscalização mais ampla sobre alegações médicas não autorizadas de produtos derivados da cannabis.
Nos últimos anos, a FDA tem intensificado as ações contra empresas que vendem produtos de cannabis sem regulamentação, especialmente aqueles que fazem alegações terapêuticas sem respaldo científico. O caso da Pico IV Inc. ocorre após outras advertências, como a emitida à fabricante de absorventes internos revestidos com CBD, que retirou seus produtos do mercado norte-americano no início de 2025.
Embora a cannabis e seus derivados tenham sido legalizados em diversos estados dos EUA, a regulamentação federal segue fragmentada, dificultando a atuação de empresas e impactando negativamente a economia do setor. A falta de regras claras para produtos derivados do cânhamo, como o CBD, também gera insegurança jurídica para empreendedores e consumidores.
A indústria do cânhamo, que teve um crescimento expressivo após a legalização da planta nos EUA em 2018, enfrenta desafios regulatórios que afetam seu desenvolvimento. Apesar das dificuldades, um relatório recente apontou que o mercado de cânhamo movimentou mais do que todas as vendas de maconha nos estados onde a erva é legalizada e igualou o faturamento da indústria de cerveja artesanal.
Enquanto o setor busca maior regulamentação, o governo dos EUA segue dividido sobre o futuro da cannabis. O atual diretor da FDA, indicado pelo presidente Donald Trump, já se manifestou contra a legalização, alegando possíveis riscos à saúde cardiovascular e mental, além de reforçar a ideia ultrapassada da maconha como “porta de entrada” para outras drogas.
O impasse continua, deixando consumidores e empresários em uma zona de incerteza. No Brasil, onde o acesso à cannabis medicinal ainda é restrito, casos como o da Pico IV Inc. levantam discussões sobre a necessidade de um marco regulatório mais moderno e baseado em evidências científicas, evitando que pacientes dependam de decisões judiciais para garantir seus tratamentos.
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