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Disfunção Cognitiva Canina – Entenda o alzheimer canino e como ajudar

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Redação

14 de maio de 2026

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Disfunção Cognitiva Canina – Entenda o alzheimer canino e como ajudar

Por Esther Halfön – Médica Veterinária*

A disfunção cognitiva canina (DCC), frequentemente comparada ao Alzheimer humano, é uma condição neurodegenerativa comum em cães idosos. Os sinais incluem desorientação, alterações no sono, ansiedade, vocalização excessiva, perda de memória, redução da interação social e mudanças comportamentais. Nos últimos anos, os fitocanabinoides derivados da *Cannabis sativa* passaram a ser estudados como ferramentas promissoras no suporte neurológico e comportamental desses pacientes, principalmente pela ação sobre o sistema endocanabinoide. 

O sistema endocanabinoide participa da regulação da neuroinflamação, memória, sono, dor, humor, neuroproteção e plasticidade neuronal. Entre os principais compostos estudados estão o CBD, THC, CBC, CBN e CBG, cada um com propriedades específicas e complementares. 

# CBD (Canabidiol) 

Canabidiol 

O CBD é o fitocanabinoide mais utilizado na medicina veterinária devido ao seu perfil seguro e amplo potencial terapêutico. Na disfunção cognitiva canina, atua principalmente como: 

* Neuroprotetor 

* Anti-inflamatório cerebral 

* Antioxidante 

* Modulador da ansiedade 

* Regulador do sono 

O envelhecimento cerebral promove aumento da neuroinflamação e do estresse oxidativo, levando à degeneração neuronal. O CBD reduz a liberação de citocinas inflamatórias e diminui o dano oxidativo nos neurônios, ajudando a preservar a função cerebral. 

Além disso, o CBD modula receptores serotoninérgicos (5-HT1A), contribuindo para: 

* Redução da ansiedade noturna 

* Menor vocalização 

* Diminuição da agitação 

* Melhora da interação social 

Também pode auxiliar na qualidade do sono e na adaptação ambiental, muito importantes em cães geriátricos. 

# THC (Tetraidrocanabinol) 

Tetraidrocanabinol 

O THC é o principal canabinoide psicoativo da planta, porém em medicina veterinária utiliza-se geralmente em microdosagens e associado ao CBD. 

Na disfunção cognitiva, o THC pode promover: 

* Estímulo do apetite 

* Relaxamento 

* Melhora do sono profundo 

* Redução da dor crônica associada ao envelhecimento 

* Estímulo do sistema endocanabinoide 

O THC atua principalmente nos receptores CB1 do sistema nervoso central, modulando neurotransmissores relacionados à memória, comportamento e percepção sensorial. 

Em doses extremamente baixas, pode auxiliar: 

* cães apáticos, 

* com inversão do ciclo sono-vigília, 

* ansiedade senil, 

* síndrome do pôr do sol (“sundowning”). 

Entretanto, cães são particularmente sensíveis ao THC, exigindo protocolos rigorosos e individualizados. O excesso pode causar ataxia, sedação excessiva, vocalização, midríase e desorientação. 

# CBC (Canabicromeno) 

Canabicromeno 

O CBC é um fitocanabinoide não psicoativo com grande potencial neuroprotetor e anti-inflamatório. 

Entre seus principais mecanismos: 

* Estímulo da neurogênese 

* Modulação inflamatória 

* Potencial analgésico 

* Ação sinérgica com CBD e THC 

Estudos sugerem que o CBC pode favorecer a formação de novas células neurais em regiões relacionadas à memória e aprendizado, algo extremamente relevante em doenças neurodegenerativas. 

Além disso, auxilia na modulação da dor silenciosa crônica, muito comum em cães idosos com artrose, condição que frequentemente agrava sinais cognitivos. 

O CBC também participa do chamado “efeito entourage”, potencializando os benefícios dos demais canabinoides quando usados em conjunto. 

# CBN (Canabinol) 

Canabinol 

O CBN é conhecido principalmente por sua ação sedativa e reguladora do sono. 

Na disfunção cognitiva canina, pode auxiliar em: 

* Insônia geriátrica 

* Sono fragmentado 

* Agitação noturna 

* Ansiedade do envelhecimento 

Muitos cães com DCC apresentam alteração do ritmo circadiano, dormindo durante o dia e permanecendo inquietos à noite. O CBN pode ajudar a reorganizar o padrão de descanso. 

Também apresenta: 

* leve ação analgésica, 

* potencial neuroprotetor, 

* efeito calmante sem intensa psicoatividade. 

Quando associado ao CBD, pode proporcionar maior estabilidade emocional e melhora da qualidade de vida. 

# CBG (Canabigerol) 

Canabigerol 

O CBG é considerado o “canabinoide precursor”, pois participa da formação de outros fitocanabinoides na planta. 

Na neurologia veterinária, destaca-se por: 

* ação anti-inflamatória potente, 

* neuroproteção, 

* modulação da microglia, 

* suporte cognitivo, 

* potencial efeito antidepressivo. 

O CBG parece atuar de forma importante na proteção neuronal e na redução da inflamação cerebral crônica relacionada ao envelhecimento. 

Também pode auxiliar: 

* na disposição, 

* interação ambiental, 

* motivação, 

* apatia senil. 

Seu perfil é particularmente interessante em cães idosos com perda de interesse social e redução da atividade. 

# O efeito entourage 

Efeito entourage 

Um dos conceitos mais importantes da medicina canabinoide é o “efeito entourage”, no qual os diferentes canabinoides atuam de maneira sinérgica. 

Enquanto: 

* o CBD reduz inflamação e ansiedade, 

* o THC modula neurotransmissores, 

* o CBN melhora o sono, 

* o CBC auxilia neurogênese, 

* e o CBG promove neuroproteção, 

a combinação equilibrada pode oferecer suporte mais amplo ao paciente geriátrico. 

# Considerações finais 

A terapia canabinoide não representa cura para a disfunção cognitiva canina, mas pode atuar como importante ferramenta multimodal para: 

* melhora da qualidade de vida, 

* estabilização comportamental, 

* redução da ansiedade, 

* melhora do sono, 

* suporte neuroprotetor, 

* e maior interação social. 

Os melhores resultados geralmente ocorrem quando associada a: 

* enriquecimento ambiental, 

* dieta neuroprotetora, 

* antioxidantes, 

* controle da dor, 

* atividade cognitiva, 

* e acompanhamento veterinário individualizado. 

Na medicina veterinária, o uso de canabinoides deve sempre considerar: 

* titulação gradual, 

* individualidade do paciente, 

* interações medicamentosas, 

* idade, 

* condição hepática, 

* e sensibilidade ao THC. 

*Esther Halfön é médica veterinária desde 2004, pós graduada em Acupuntura Humana e Veterinária, pós graduada em Medicina da Longevidade, CEO da Natural pra Pet, Coordenadora da CIPET Saúde animal, Coordenadora da Escola Paulista de Medicina veterinária (EPMVET).

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