Pesquisa realizada em Israel observou melhorias comportamentais após três a seis meses de tratamento
Um estudo publicado na revista científica Current Neuropharmacology sugere que terapias com óleo de cannabis rico em CBD podem ajudar a reduzir sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo.
A pesquisa acompanhou 109 crianças e jovens em Israel e avaliou mudanças comportamentais após um tratamento com óleo rico em canabidiol durante um período de três a seis meses. A maioria dos participantes apresentou melhorias em diferentes indicadores, incluindo timidez ansiosa, perfeccionismo, índice geral de TDAH, labilidade emocional e hiperatividade-impulsividade.
O objetivo do estudo foi analisar se o tratamento com cannabis rica em CBD poderia influenciar sintomas de TDAH associados ao autismo. Para isso, os pesquisadores realizaram um estudo prospectivo, de braço único e open-label (sem grupo de controle), conduzido em um único centro médico no país.
Avaliação feita por professores
Dos 109 participantes, 53 foram avaliados por professores por meio da escala padronizada Conners’ Teacher Rating Scale (CTRS), aplicada antes e depois da intervenção. O uso dessa ferramenta é relevante porque muitos estudos anteriores sobre cannabis medicinal em autismo basearam-se principalmente em relatos dos pais.
Além das avaliações comportamentais, os pesquisadores coletaram amostras de sangue antes e após o tratamento para medir níveis de canabinoides e seus metabólitos, incluindo CBD e compostos derivados.
Os resultados mostraram melhorias estatisticamente significativas em vários domínios comportamentais, especialmente:
- timidez ansiosa
- perfeccionismo
- índice geral de TDAH
- labilidade emocional
- hiperatividade-impulsividade
Também foram observadas tendências de melhora em comportamentos oposicionistas, desatenção cognitiva e hiperatividade segundo indicadores do Conners’ Global Index e critérios do DSM-IV.
Curiosamente, não foram encontradas correlações claras entre a dose administrada ou os níveis sanguíneos de canabinoides e a magnitude das melhorias, com exceção da labilidade emocional — que apresentou maior melhora em participantes com concentrações mais elevadas de CBD no organismo.
Limitações e necessidade de novos ensaios
Apesar dos resultados promissores, os próprios autores destacam limitações importantes. O estudo foi open-label, sem grupo de controle e sem randomização, o que impede conclusões definitivas sobre eficácia.
Por isso, os pesquisadores ressaltam a necessidade de ensaios clínicos controlados e randomizados para confirmar os efeitos observados e estabelecer parâmetros seguros de dose e duração do tratamento.
A investigação foi conduzida por uma equipe multidisciplinar de cientistas e médicos de várias instituições israelenses, incluindo o Shamir Medical Center, afiliado à Tel Aviv University, além do Technion – Israel Institute of Technology e da Ben-Gurion University of the Negev.
Os resultados contribuem para o crescente corpo de pesquisas que investigam o potencial terapêutico dos canabinoides na regulação da atenção, do comportamento e das emoções em condições neurodesenvolvimentais. Entretanto, especialistas alertam que a aplicação clínica ainda exige mais evidências científicas robustas.
