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Planta na Mente celebra 15 anos e transforma a própria história em enredo do carnaval de 2026 no Rio

by Redação

Bloco canábico mais longevo da cidade reafirma o antiproibicionismo, a redução de danos e o uso terapêutico da cannabis ocupando as ruas com música, afeto e resistência

Em 2025, o Planta na Mente, primeiro e único bloco canábico do carnaval do Rio de Janeiro, completa 15 anos de trajetória. Ao longo de uma década e meia, o coletivo ocupou as ruas com música, afeto, debate público e resistência, usando o carnaval como linguagem política, cultural e pedagógica para enfrentar as injustiças históricas produzidas pela proibição das drogas. Para marcar esse percurso, o tema do carnaval de 2026 será a própria história do bloco.

O desfile oficial está marcado para a tradicional quarta-feira de brasas, no dia 18 de fevereiro, com concentração a partir das 14h30 e saída às 16h20, nos Arcos da Lapa. O local não é apenas um ponto turístico, mas o território onde o bloco nasceu e consolidou sua identidade política e cultural.

Antes disso, o coletivo promove uma série de atividades de pré-carnaval. No dia 1º de fevereiro, acontece o Baile de Máscaras, das 14h às 20h, na Firma, no Centro do Rio, com entrada colaborativa. Já no dia 7 de fevereiro, o Planta realiza um ensaio aberto e gratuito durante a Tarde Kaya N’Gan Daya, a partir das 16h, no Parque Glória Maria, em Santa Teresa.

Reconhecido como um dos blocos mais irreverentes do carnaval carioca, o Planta na Mente chega a esse marco celebrando uma trajetória construída de forma coletiva, voluntária e afetiva. Cada desfile, ensaio e reunião ajudou a consolidar um projeto político que defende a educação sobre drogas, a redução de danos como política pública de cuidado e o reconhecimento dos usos terapêuticos da cannabis, especialmente para pacientes que dependem da planta como medicamento.

Segundo Pedro Pajé, um dos produtores do coletivo, o posicionamento antiproibicionista do bloco vai além da festa. Para ele, trata-se de um projeto de mundo baseado na defesa da vida, da autonomia e da justiça social, além do enfrentamento direto à violência produzida pela chamada guerra às drogas, que historicamente atinge de forma desigual a população negra e periférica.

Ao longo desses 15 anos, o Planta na Mente mostrou que é possível fazer política com música, denunciar desigualdades com humor e transformar o carnaval em uma poderosa ferramenta de conscientização. Formado por músicos, militantes e simpatizantes da legalização, o bloco reúne todos os anos mais de dez mil pessoas em seu desfile, que percorre o trajeto dos Arcos da Lapa até a Praça Tiradentes.

O repertório mistura músicas autorais, versões de canções conhecidas com referências canábicas e marchinhas tradicionais, sempre com o objetivo de trazer o debate sobre a legalização para o centro da folia. Letras que falam de liberdade, cuidado e direito ao próprio corpo se tornaram marcas do bloco e ajudam a criar identificação com o público.

A história celebrada em 2026 também inclui apresentações em espaços públicos, casas de shows e a participação em todas as Marchas da Maconha realizadas no estado do Rio de Janeiro, como as de Niterói, Petrópolis, Campos, Paraty e a da capital. O coletivo integra ainda o CORETO, articulação que reúne blocos organizados do carnaval carioca.

Mais do que um bloco, o Planta na Mente se consolidou como um símbolo da luta antiproibicionista no Brasil, mostrando que cultura, política e cuidado podem caminhar juntos, e que ocupar as ruas com alegria também é uma forma legítima de resistência.

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