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Pesquisa indica que cannabis já faz parte do “esquenta” de festas de fim de ano nos EUA

by Redação

Levantamento aponta que um em cada três norte-americanos usa maconha para aliviar estresse em encontros familiares e datas festivas

Cerca de um em cada três norte-americanos afirma que o ritual de “esquenta” antes de encontros familiares nas festas de fim de ano envolve o uso de cannabis. É o que revela uma pesquisa recente realizada pelo Freeman Recovery Center, que analisou a relação entre consumo de álcool, cannabis e outras substâncias durante o período de festas, marcado por confraternizações familiares, pressões financeiras e aumento do estresse emocional.

Segundo os pesquisadores, o objetivo do levantamento foi compreender por que o uso de substâncias tende a se intensificar nessa época do ano. De acordo com o centro, as celebrações de fim de ano estão profundamente enraizadas na cultura dos Estados Unidos, o que dificulta identificar exatamente quais fatores agravam comportamentos de uso de substâncias. Ainda assim, os dados mostram que, para uma parcela significativa da população, a cannabis tem sido utilizada como estratégia para relaxar e lidar com as tensões do período.

A pesquisa ouviu mais de mil pessoas e indicou que, para muitos entrevistados, substâncias como o álcool deixaram de ser apenas parte das festas e passaram a funcionar como uma forma de “aguentar” a temporada. Aproximadamente metade dos participantes afirmou consumir alguma substância antes de reuniões familiares. O álcool segue como a opção mais comum, citado por 51%, mas a cannabis aparece logo em seguida, com 31% das respostas. Entre jovens adultos das gerações Z e millennials, esse número sobe para 43%. Outros 12% relataram o uso de substâncias psicodélicas antes desses encontros.

Entre pessoas com histórico de uso problemático de substâncias, os percentuais são ainda mais elevados. Nesse grupo, 68% disseram recorrer ao álcool, 50% à cannabis e 26% a psicodélicos como forma de lidar com o estresse associado às festas.

O levantamento também analisou o impacto da pressão financeira típica do período. Embora o estresse com gastos seja comum, nem todas as gerações recorrem a substâncias como estratégia de enfrentamento. Entre a geração X, 42% afirmaram não usar drogas ou álcool para lidar com esse tipo de pressão. Entre os baby boomers, o índice chega a 68%. Já os millennials lideram o uso de substâncias para automedicação diante de dificuldades financeiras, com 54% relatando consumo de álcool e 45% de cannabis.

Os dados dialogam com pesquisas anteriores sobre o consumo de cannabis nos Estados Unidos. Um levantamento do Pew Research Center, divulgado em 2023, mostrou que mais da metade dos adultos norte-americanos já experimentou maconha ao menos uma vez, e 23% relataram uso no último ano.

No contexto específico das festas, a popularização do consumo de cannabis também ganhou espaço na mídia. Em novembro, veículos tradicionais voltaram a destacar uma prática conhecida há anos na cultura canábica: a chamada “caminhada do primo”, um ritual informal em que pessoas mais jovens se afastam discretamente das reuniões familiares, especialmente no Dia de Ação de Graças, para consumir cannabis antes da refeição.

Para analistas, os dados reforçam uma mudança cultural em curso. Em vez de recorrer exclusivamente ao álcool, parcela crescente da população tem optado pela cannabis como forma de relaxamento e manejo do estresse, inclusive em ambientes familiares. O fenômeno reacende o debate sobre redução de danos e sobre como políticas menos proibicionistas podem dialogar melhor com comportamentos reais da sociedade contemporânea.

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