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Parlamento da Virgínia aprova projeto que protege direitos de pais que usam cannabis legalmente

by Redação

Proposta impede que consumo ou posse legal da substância seja usado, isoladamente, para restringir guarda ou visitas a filhos

Parlamentares do estado da Virgínia, nos Estados Unidos, aprovaram um projeto de lei que busca proteger os direitos de pais e responsáveis legais que utilizam cannabis em conformidade com a legislação estadual. A proposta determina que o consumo ou a posse legal da substância não pode, por si só, ser utilizado como justificativa para restringir guarda ou direito de visita a filhos.

O projeto, apresentado pelo deputado estadual Nadarius Clark, do Partido Democrata, foi aprovado pela Câmara dos Delegados e pelo Senado estadual na semana passada, após sofrer alterações. Agora, o texto segue para análise da governadora Abigail Spanberger.

A proposta estabelece que a posse ou o consumo legal de substâncias autorizadas, como a cannabis, não deve servir como base isolada para decisões judiciais que limitem a custódia ou a convivência familiar, a menos que existam outros elementos que indiquem que o comportamento não atende ao melhor interesse da criança.

O texto também esclarece que um pai, mãe ou responsável legal não pode ser considerado reprovado em testes toxicológicos apenas por apresentar substâncias cujo uso é legal, incluindo cannabis.

Durante a votação na Câmara dos Delegados, Clark defendeu que a medida busca garantir que decisões judiciais sobre guarda sejam baseadas em critérios mais amplos e não apenas no uso legal da substância.

Segundo ele, a proposta determina que nenhum pai ou mãe deve perder direitos de guarda ou visitação apenas pela posse ou consumo legal de substâncias autorizadas pela legislação estadual.

O projeto atual segue a mesma linha de uma iniciativa semelhante apresentada pelo parlamentar no ano anterior. Na ocasião, a proposta foi aprovada pelo Legislativo estadual, mas acabou vetada pelo então governador Glenn Youngkin, do Partido Republicano.

Em sua justificativa para o veto, Youngkin argumentou que a medida poderia criar riscos para crianças ao limitar a possibilidade de tribunais considerarem o uso de substâncias em disputas de guarda.

O ex-governador afirmou que existiriam evidências relacionando o uso de drogas a situações de risco para menores, citando casos de ingestão acidental de produtos com cannabis após a legalização da substância.

Para ele, impedir que tribunais considerassem o consumo de cannabis em decisões sobre custódia poderia colocar em segundo plano a proteção da saúde e do bem-estar de crianças.

Mesmo com essas críticas, o tema voltou à pauta legislativa neste ano. A versão atual do projeto foi ajustada após discussões no Senado estadual, principalmente porque parte da legislação relacionada ainda está sendo analisada em um estudo em andamento.

A governadora Abigail Spanberger ainda não se pronunciou publicamente sobre o projeto específico, mas é considerada mais favorável a reformas relacionadas à cannabis do que seu antecessor.

No mesmo período legislativo, parlamentares da Virgínia também avançaram com propostas relacionadas à regulamentação do mercado de cannabis para uso adulto, à revisão de sentenças de pessoas condenadas por crimes relacionados à planta no passado e à ampliação do acesso à cannabis medicinal em ambientes hospitalares.

As diferentes iniciativas indicam que o estado vive um momento de reavaliação de suas políticas públicas relacionadas à cannabis, com discussões que envolvem tanto justiça social quanto regulação do mercado e proteção de direitos civis.

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