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MDMA: entenda as diferenças entre o uso terapêutico e o recreativo

by Redação

Consumo medicinal segue protocolos rigorosos, enquanto fora do ambiente clínico envolve riscos à saúde

O MDMA, substância popularmente associada ao uso recreativo em baladas, shows, raves e outras festas, vem sendo estudado em contextos clínicos controlados como potencial aliado no tratamento de distúrbios mentais, especialmente o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), condição psiquiátrica que pode ocorrer em pessoas que vivenciaram ou testemunharam um evento traumático. No entanto, os dois usos não devem ser confundidos, já que envolvem finalidades, ambientes e níveis de segurança completamente distintos.

Em um contexto terapêutico, o MDMA é administrado exclusivamente em ambientes clínicos autorizados, com acompanhamento médico e psicológico e dentro de protocolos baseados em evidências científicas. As doses são rigorosamente controladas e ajustadas de acordo com critérios clínicos, com monitoramento contínuo dos efeitos físicos e emocionais do paciente.

De acordo com Lucas Cury, médico pós-graduado em Neurologia, “estudos de fase 3 publicados em periódicos de alto reconhecimento como a revista Nature Medicine, por exemplo, demonstraram que a terapia assistida por MDMA promove uma redução clinicamente significativa nos sintomas de TEPT, com grande efeito terapêutico mensurado pela escala CAPS-5 – ferramenta validada internacionalmente que avalia a gravidade dos sintomas da doença com base em critérios padronizados e entrevista clínica estruturada, além de expressivas melhorias funcionais e taxas muito reduzidas de efeitos adversos”.

O uso terapêutico do MDMA ocorre em sessões estruturadas, espaçadas ao longo de semanas ou meses, com foco na redução de sintomas crônicos como ansiedade, flashbacks e sofrimento emocional, promovendo melhora da qualidade de vida.

Já o consumo recreativo da substância ocorre, em geral, em ambientes sem qualquer controle técnico ou profissional, como festas e eventos. Nessas situações, a procedência da substância é desconhecida, as doses são variáveis e há risco de contaminação com outras drogas. Além disso, a ausência de monitoramento aumenta a probabilidade de efeitos adversos, como desidratação, hipertermia, colapso cardiovascular e reações psicológicas graves.

Outro ponto de atenção é a frequência de uso. Enquanto no contexto clínico as sessões são limitadas e cuidadosamente planejadas, o uso repetido em curto espaço de tempo no ambiente recreativo eleva os riscos de neurotoxicidade, dependência e, em casos extremos, morte súbita.

“Infelizmente, hoje estamos diante de um movimento de resistência por parte de vários órgãos reguladores de vigilância sanitária ao redor do mundo para aprovar esse tipo de substância. As devolutivas negativas a respeito de uma possível aprovação normalmente têm como pano de fundo o preconceito que existe por conta da adoção do MDMA, conhecido popularmente como ecstasy, para fins recreativos, e como uma substância que causa vício”, aponta o especialista.

A discussão sobre o MDMA deve ser feita com base em informação qualificada, pois trata-se de diferenciar ciência de improviso. O que está em estudo na medicina não tem relação com o consumo recreativo sem supervisão, que continua sendo uma prática de alto risco à saúde.

“É importante destacar que não estamos buscando o uso indiscriminado do MDMA, mas sim a utilização da substância durante terapia assistida conduzida por médicos preparados para ministrá-la de forma segura, com a presença inclusive, de acompanhantes do paciente para garantir o acolhimento e a segurança durante o processo. Muita gente será beneficiada com esse tratamento, o que, inclusive, pode refletir em um desafogamento do sistema de saúde brasileiro, com a redução do volume de atendimentos de pessoas com doenças mentais como a TEPT”, finaliza Cury.

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