Pesquisa mostra respaldo popular à legalização do mercado recreativo, enquanto parlamentares avançam com projeto para tirar a cannabis da ilegalidade e enfraquecer o mercado clandestino
Uma nova pesquisa de opinião indica que a ampliação da legislação sobre cannabis na Virgínia conta com o apoio da maioria do eleitorado. Segundo levantamento divulgado pelo Wason Center, da Christopher Newport University, 60% dos eleitores registrados no estado são favoráveis à legalização e regulamentação da venda de cannabis para uso adulto.
O apoio é expressivo entre democratas, com 74%, e independentes, com 59%. Entre republicanos, o índice cai para 38%, revelando uma divisão partidária, mas ainda assim consolidando uma maioria social favorável à mudança. A diferença geracional também é marcante: 74% das pessoas entre 18 e 44 anos defendem a legalização, contra 48% entre eleitores com mais de 45 anos.
Os dados surgem em um momento decisivo, quando comissões da Câmara dos Delegados e do Senado estadual aprovaram projetos que criam um mercado regulado de cannabis para adultos. Apesar de diferenças pontuais entre os textos, as propostas seguem as diretrizes apresentadas recentemente por uma comissão legislativa criada justamente para conduzir a transição da Virgínia para um mercado legal de cannabis.
A posse e o cultivo doméstico da planta já são legais no estado desde 2021, mas a criação de um mercado regulado foi travada nos últimos anos por vetos do ex-governador Glenn Youngkin. Para organizações da sociedade civil, esse vácuo regulatório teve consequências diretas. Sem acesso legal à compra, o mercado ilegal se expandiu, sem controle de qualidade, fiscalização ou proteção ao consumidor.
Para JM Pedini, diretora da Virginia NORML, o apoio popular reflete uma percepção clara dos riscos da atual situação. Segundo ela, os eleitores entendem a urgência de retirar a cannabis da informalidade e colocá-la sob regras claras, com controle de idade, segurança sanitária e fiscalização. A dirigente também destaca que a regulamentação permitiria reinvestir milhões em impostos nas comunidades locais, em vez de alimentar redes clandestinas.
As propostas em debate preveem o início das vendas entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a depender da versão final aprovada. Adultos poderão adquirir até cerca de 70 gramas de cannabis por compra, além de produtos equivalentes. A regulação ficará a cargo da Autoridade de Controle da Cannabis da Virgínia, responsável por licenciamento, fiscalização e regras de funcionamento do setor.
O modelo inclui tributação específica sobre os produtos, com parte da arrecadação destinada a programas de saúde pública, prevenção ao uso problemático de substâncias, educação infantil, campanhas de segurança no trânsito e um fundo voltado à equidade social. O texto também impede que municípios proíbam a instalação de negócios de cannabis, autoriza serviços de entrega e impõe limites claros de dosagem, com foco na redução de riscos.
A governadora Abigail Spanberger, recém-empossada, declarou apoio à legalização da venda para uso adulto. Para ela, o atual cenário de legalidade parcial gera confusão jurídica e prejudica tanto pacientes quanto cidadãos que tentam agir dentro da lei. Segundo a governadora, regulamentar o mercado é uma forma de dar clareza, segurança e coerência à política pública.
Além do debate sobre a venda recreativa, parlamentares da Virgínia também analisam outras propostas relacionadas à cannabis, como a revisão de condenações por crimes ligados à planta e a ampliação do uso da cannabis medicinal em ambientes hospitalares. Em paralelo, o Departamento de Trabalho do estado publicou novas diretrizes sobre direitos de trabalhadores que fazem uso legal da substância.
O avanço legislativo, somado ao respaldo da opinião pública, reforça uma tendência observada em diversos estados norte-americanos: a compreensão de que a proibição não protege a sociedade, enquanto a regulamentação baseada em saúde pública, direitos e informação oferece caminhos mais eficazes e justos.
