United Center, em Chicago, vai oferecer produtos derivados de cannabis em eventos e reforça avanço de alternativas ao álcool no entretenimento
A maior arena de entretenimento dos Estados Unidos vai passar a vender bebidas com THC derivado do cânhamo para o público adulto. O United Center, em Chicago, anunciou uma parceria de longo prazo com as marcas Señorita e RYTHM para oferecer os produtos a pessoas com 21 anos ou mais durante shows e eventos esportivos.
O espaço é a casa do Chicago Bulls, da NBA, e do Chicago Blackhawks, da NHL, e recebe anualmente milhões de espectadores. A estreia da iniciativa está marcada para o dia 4 de fevereiro, durante um show que reúne os grupos New Edition, Boyz II Men e a cantora Toni Braxton.
A Señorita vai comercializar três sabores de bebidas com 5 mg de THC por unidade: Lime Jalapeño Margarita, Mango Margarita e Grapefruit Paloma. Já a RYTHM oferecerá uma bebida de laranja tangerina com THC e cafeína. Os produtos são feitos a partir de cannabis legalizada na forma de cânhamo, conforme a legislação federal norte-americana.
As duas marcas pertencem ao grupo Agrify, que recentemente adotou o nome RYTHM e licenciou seu portfólio à operadora multiestatal Green Thumb Industries para fabricação e distribuição.
Para Ben Kovler, presidente do conselho e CEO interino da RYTHM, o acordo simboliza uma mudança cultural relevante. Segundo ele, a presença das bebidas canábicas no United Center mostra que grandes espaços de entretenimento começam a reconhecer a demanda do público por opções não alcoólicas e menos prejudiciais à saúde.
“Os consumidores querem alternativas ao álcool, e os principais locais do mundo estão respondendo a isso”, afirmou o executivo em comunicado. “O United Center continua estabelecendo padrões ao introduzir opções modernas e responsáveis.”
O diretor de operações da arena, Joe Myhra, também destacou que a iniciativa faz parte da estratégia de modernização dos serviços oferecidos ao público e lembrou a ligação histórica da marca RYTHM com a cidade de Chicago.
A parceria se insere em um movimento mais amplo de aproximação entre a indústria da cannabis e o setor esportivo e cultural nos Estados Unidos. Nos últimos anos, times da NBA e da WNBA fecharam acordos com empresas de bebidas à base de CBD, e até a Major League Baseball passou a ter patrocinadores do segmento. Organizações de veteranos de guerra também firmaram contratos com fabricantes de bebidas com THC, promovendo esses produtos como alternativa ao consumo de álcool.
Pesquisas recentes indicam que a maioria dos fãs de esportes profissionais nos EUA considera aceitável que empresas de cannabis patrocinem equipes e eventos, sinalizando uma normalização acelerada do tema.
Enquanto isso, países como o Brasil ainda mantêm um modelo fortemente proibicionista, que impede até mesmo o uso recreativo regulado e dificulta o acesso democrático a produtos derivados da cannabis, inclusive para fins medicinais. A experiência do United Center mostra que é possível integrar a cannabis à vida cultural e econômica de forma transparente, regulada e segura, sem os estigmas históricos associados à criminalização.
Para especialistas em políticas de drogas, iniciativas como essa evidenciam que a proibição não acompanha a realidade social nem científica, e que a regulação tende a gerar mais proteção ao consumidor, arrecadação e redução de danos do que o modelo repressivo ainda adotado em grande parte da América Latina.
