De 2015 a 2021, o Brasil recebeu mais de 70,4 mil pedidos no total. Há 5 anos, em 2017, a Anvisa havia concedido a importação para produtos à base de cannabis para 2.101 formulários preenchidos. Em 2021, o número é 15 vezes maior: foram 32.416 liberações feitas pela Agência. A evolução dos pedidos de importação são apenas os primeiros de alguns números que mostram o mercado da cannabis medicinal no Brasil.
A Kaya Mind, empresa criada para análise de mercado da planta, calcula o boom canábico: uma movimentação de R$ 130 milhões no país em 2021, considerando apenas os produtos importados com autorização da Anvisa. A companhia informa que o montante é “sabidamente subnotificado, visto que o número de produtos que a Agência Reguladora audita os dados é apenas uma parcela do que entra”.
Para chegar aos cálculos de valor e potencial de mercado da cannabis, a Kaya mapeou dezenas de empresas que atuam direta ou indiretamente com a planta para fins medicinais, remédios que estão disponíveis para importação via Anvisa e os gastos do SUS com o fornecimento desses medicamentos por via judicial, o que tem ocorrido com mais frequência desde 2017.
A empresa compilou os gastos do SUS no fornecimento de produtos à base de cannabis mediante judicialização em 13 estados (e aguarda dados dos outros), de 2015 a 2021, em um total de mais de R$ 50 milhões em custos:
- Bahia: R$ 777 mil
- Alagoas: R$ 10 mil
- Rondônia: R$ 233 mil
- Pernambuco: R$ 116 mil
- Ceará: R$ 438 mil
- Mato Grosso do Sul: R$ 1,9 milhões
- Santa Catarina: R$ 2,6 milhões
- Goiás: R$ 2,2 milhões
- Minas Gerais: R$ 547 mil
- Rio de Janeiro: R$ 11 mil
- São Paulo: R$ 42 milhões
Brasileiro desconhece a cannabis medicinal
Uma pesquisa encomendada pelo Senado aponta que 90% dos brasileiros não conhecem alguém que utilize medicamentos à base de cannabis para a saúde. Quase 60% não sabem dizer quais são as doenças mais comuns a serem tratadas com os produtos. A pesquisa ouviu 2,4 mil pessoas em todos os estados por meio de telefonemas feitos em junho de 2019. A amostra seguiu os dados mais recentes do IBGE e a margem de erro é de 2 pontos percentuais com nível de confiança de 95%. A maioria dos brasileiros (79%) é a favor da distribuição desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, quando o assunto é plantio para consumo próprio e medicinal, mesmo com prescrição médica, o número muda: 64% são contrários.
Por Carolina Dantas, g1
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