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Estudo financiado pelo governo aponta benefícios terapêuticos da cannabis para adultos com deficiência

by Redação

Pesquisa indica uso frequente da planta para alívio da dor, relaxamento e manejo de sintomas físicos e mentais

Um estudo recente financiado com recursos públicos aponta que a cannabis tem sido amplamente utilizada por adultos com deficiência como ferramenta terapêutica, especialmente para o controle da dor e o alívio de outros sintomas associados a condições crônicas. De acordo com os pesquisadores, o uso da planta é comum entre diferentes tipos de deficiência e, na maioria dos casos, está diretamente ligado à busca por bem-estar e qualidade de vida.

Segundo o levantamento, mais de um em cada cinco participantes afirmou usar cannabis atualmente. Entre esses, mais de 70% relataram que o principal motivo é o alívio da dor, enquanto mais de 60% disseram utilizar a substância para relaxar ou reduzir tensões físicas e emocionais. Os dados reforçam a percepção de que a cannabis vem sendo incorporada, de forma prática, ao cotidiano de pessoas com deficiência como alternativa ou complemento a tratamentos convencionais.

Os pesquisadores também identificaram outros motivos de uso relacionados a condições específicas de saúde. Entre eles estão enxaquecas, náuseas, espasmos musculares, crises convulsivas, questões de saúde mental e distúrbios do sono. Para os autores do estudo, esses relatos ajudam a evidenciar a diversidade de aplicações terapêuticas atribuídas à cannabis por esse público.

As informações analisadas fazem parte da National Survey on Health and Disability, uma pesquisa anual que reúne dados de cerca de duas mil pessoas que se autodeclaram como pessoas com deficiência. O estudo considera limitações autorreferidas em áreas como cognição, audição, mobilidade, vida independente, autocuidado e visão. A pesquisa foi conduzida por autores ligados à George Mason University e à University of Nevada e publicada na edição de novembro de 2025 do periódico científico Disability and Health Journal.

Os próprios pesquisadores ressaltam algumas limitações metodológicas. Um dos pontos destacados é o fato de que os dados são baseados em autodeclaração, o que pode incluir percepções subjetivas. Além disso, a pergunta sobre os motivos do uso de cannabis não diferencia claramente entre consumo atual e experiências passadas. Outro fator é o perfil da amostra, composta majoritariamente por pessoas brancas, mulheres, com nível superior e renda mais elevada, o que limita a generalização dos resultados para outros grupos sociais.

Ainda assim, os autores destacam que aproximadamente 20% dos adultos com deficiência entrevistados relataram uso atual de cannabis, um dado considerado relevante no contexto das políticas públicas de saúde e inclusão. O estudo foi financiado pelo National Institute on Disability, Independent Living, and Rehabilitation Research, órgão vinculado ao sistema nacional de pesquisa em saúde dos Estados Unidos.

Além dos efeitos diretos no manejo de sintomas, o avanço da legalização da cannabis também tem gerado impactos indiretos positivos para pessoas com deficiência. Em alguns estados norte-americanos, como o Colorado, parte da arrecadação com a venda legal da planta tem sido direcionada a programas voltados a comunidades com deficiência, ampliando o acesso a serviços e iniciativas de inclusão. Para especialistas, esses movimentos reforçam o argumento de que políticas menos proibicionistas podem produzir benefícios sociais que vão além do campo terapêutico.

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