Análise da NORML mostra que a maioria das prisões por drogas envolve cannabis, principalmente por porte
A criminalização da maconha continua sendo o principal motor da guerra às drogas nos estados norte-americanos onde a substância permanece ilegal. Um levantamento da organização NORML, com base em dados do FBI, mostra que a maioria das prisões relacionadas a drogas em 2024 envolveu cannabis, desmentindo a ideia de que essas detenções são irrelevantes ou raras.
Foram analisados dados de 14 estados sem legalização recreativa e com políticas restritivas até mesmo para uso medicinal. Em cinco deles — Idaho, Iowa, Louisiana, Nebraska e Wisconsin — mais de 50 por cento de todas as prisões por drogas foram por maconha. Nos outros nove — como Alabama, Geórgia e Indiana — a cannabis respondeu por mais de 40 por cento dessas prisões.
A grande maioria das detenções é por porte, e não por tráfico. Em estados como Alabama, Nebraska, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Texas, Utah e Wyoming, mais de 97 por cento das prisões por maconha foram apenas por posse. Paul Armentano, vice-diretor da NORML, afirmou que manter a criminalização é uma política cara e prejudicial que impacta principalmente jovens, pessoas pobres e pessoas negras, criando antecedentes criminais e estigmas duradouros por uma conduta que já é legal e regulada em grande parte do país.
Nos estados onde a posse para uso pessoal foi legalizada, as prisões por maconha representam menos de cinco por cento do total de crimes relacionados a drogas. É o caso de lugares como Califórnia, Michigan, Massachusetts, Nova Jersey, Vermont e Washington.
Os dados mais recentes do FBI indicam que quase 188 mil pessoas foram presas por posse de cannabis em 2024, além de outras 16 mil por cultivo ou venda. Apesar disso, os números podem estar subnotificados devido a falhas na metodologia e à ausência de envio obrigatório de informações por parte das polícias estaduais e locais.
Houve uma pequena queda em comparação com 2023, quando foram registradas 200.306 prisões por posse. Mesmo assim, a maconha continua sendo a substância específica com maior número de detenções por porte, representando 27 por cento de todos os casos dessa natureza.
Críticos apontam inconsistências nos dados federais, como registros de autuações civis contabilizadas como prisões em alguns estados, o que dificulta a construção de políticas públicas baseadas em evidências. A NORML reforça que, enquanto a maconha permanecer proibida, a criminalização seguirá afetando vidas e perpetuando desigualdades, mesmo com a crescente aceitação social e legalização em quase metade dos estados norte-americanos.
